sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

A história da sociologia no Brasil: Breve Comentário


Somente no fim do século XVII, abre-se a perspectiva do estudo sistemático do comportamento do ser humano, passando a utilizar a ciência como fundamento para esta compreensão, o que anteriormente restringia ao pensamento religioso. A necessidade de se pensar intrinsecamente tanto a sociedade quanto a ciência resulta do processo histórico e social, no qual as grandes transformações sociais ocorreram. Assim sendo, a Sociologia nasce com o papel de focalizar os problemas existentes na sociedade, questionando e buscando respostas que apontem para a construção de caminhos viáveis para a convivência coletiva. Ou seja, é o saber voltado para a compreensão da vida social humana, das regras existentes entre os grupos e dos fundamentos da sociedade.
Como ciência, a Sociologia delineou-se no rastro do pensamento positivista, vinculada a ordem das Ciências Naturais. São representantes desse pensamento Augusto Comte (1798-1857), o primeiro a usar o termo Sociologia, relacionando-o como Ciência da Sociedade e Émile Durkheim (1858-1917), que adotou conceitos elaborados por Comte, especialmente o de ordem social para delinear uma das correntes representativas do pensamento sociológico. Ambos buscando responder a aos problemas sociais gerados pelo modo de produção capitalista, a miséria, desemprego e as inúmeras rebeliões da classe operaria. Outro pensado importante foi Karl Marx (1818-1883), que traz como contribuição essencial a analise do momento em que a classe social aproximou-se dos meios de produção, passando a deter sozinho o mecanismo das ações da sociedade, desnudando as relações de exploração das classes dominantes, evidenciando que não existem soluções conciliadoras numa sociedade cuja relação esta baseada na exploração do trabalho e crescente espoliação da maioria.
Outra importante contribuição ao pensamento sociológico, crítico e revolucionário pode ser encontrada nos escritos do pensador italiano Antonio Gramsci (1891-1937), cujas análises foram incorporadas principalmente às pesquisas sociológicas e educacionais. Criados por Gramsci os conceitos de hegemonia, intelectual orgânico, e escola única auxiliam no processo de repensar as estruturas educacionais.
Situando o Brasil neste processo sociológico, dentro duma dimensão histórica da ciência, tanto as ideias conformistas quanto as revolucionárias exerceram forte influência na formação do pensamento sociológico brasileiro. Após a instalação da República, autores como Sílvio Romero (1851-1914), Euclides da Cunha (1866-1909) e Oliveira Viana (1883-1951), considerados conservadores, configuravam uma tradição ensaísta, sem uma preocupação especificadamente científica – ou seja, sem estar preocupada em pensar o que seria a identidade cultural nacional. Inicialmente no Brasil, a Sociologia reproduz os primeiros apontamentos da análise positivista, paralelamente à divulgação da obra de Comte no cenário europeu. Florestan Fernandes (1920-1995), ao traçar três períodos de desenvolvimento da reflexão sociológica na sociedade brasileira, considera aquele momento como a primeira época, uma conexão histórica entre o direito e a sociedade, a literatura e o contexto histórico. A segunda época, as primeiras décadas do século XX, é caracterizada pelo pensamento racional como forma de consciência social das condições da sociedade. E a terceira época, em meados do século XX, é marcada pela subordinação do estudo dos fenômenos sociais aos padrões de cientificidade do trabalho intelectual com influência das tendências metodológicas dos países europeus e principalmente dos Estados Unidos.
Após um longo percurso, contando da década de 30 até 70, passando por ditadura, implantação de inúmeras faculdades de filosofia e o curso de magistério, onde a sociologia é substituída por outra disciplina, encarecendo materiais de suporte para o estudo desta ciência, até chegamos a promulgação da Lei de diretrizes e Bases da Educação (Lei 9394/96) abriu novas perspectivas para a inclusão da sociologia nas grades curriculares, uma vez que dita no Art. 36 e inciso 3, a importância do domínio de Filosofia e Sociologia são necessários ao exercício da cidadania. No estado do Paraná, especificamente a partir de 2004, uma série de políticas públicas foram estruturadas e ações implementadas pela Secretaria de Educação, no sentido de promover a conscientização da comunidade escolar a respeito da importância do conhecimento sociológico para o aluno de Ensino Médio.
A sociologia, disciplina curricular do Ensino Médio, de acordo com a instrução 01/2004, sendo esta pautada nos documentos oficiais: LDB, DCN e PCNs. A importância de trabalhar a disciplina com os educandos tem como finalidade, segundo a LDB: “Desenvolver no educando, assegurando-lhe a formação indispensável para o exercício da cidadania e fornecendo-lhe meios para progredir no trabalho e em estudos posteriores.” Quando a lei trata do exercício da cidadania, é necessário definir o espaço da disciplina perante o Ensino Médio, definindo qualquer concepção de cidadania que deve estar implícita em todos os professores e alunos. Ainda de acordo com o que preconiza a LDB 9394/96, art. 36 &1º, inciso III, o aluno tem que ter o domínio dos conhecimentos filosóficos e sociológicos necessários ao exercício da cidadania.
Partindo deste princípio, é preciso que a sociologia garanta ao educando do Ensino Médio que, a partir do senso comum e de situações vivenciadas no cotidiano, busque superar esse nível de compreensão de mundo, desenvolvendo assim uma concepção científica qualquer atenda às exigências do homem contemporâneo, crítico e transformador, por meio do qual se possa analisar a complexidade da sociedade contemporânea.
Os conteúdos devem ser abordados de modo claro, dialógico, diferenciados do senso comum, tendo, por parte do aluno, a incorporação de uma linguagem sociológica permitindo perceber a realidade e através de conceitos explicar tal realidade. Permitindo ao educando agir como indivíduo ativo, participante das dinâmicas sociais, fornecendo, para isto, elementos necessários para a formação de um cidadão consciente de um mundo social, econômico, político, de suas potencialidades, capaz de agir e reagir diante desse mundo.
Espera-se da disciplina de Sociologia que ela contribua para que os sujeitos - nesse contexto, os envolvidos no processo pedagógico tenham recursos para desconstruir e desnaturalizar conceitos tomados historicamente como irrefutáveis, de maneira que melhorem seu senso crítico e também possam transformar a realidade e conquistar mais participação ativa na sociedade.
Nesse papel investigativo e questionador a Sociologia tem contribuído para ampliar os conhecimentos dos homens sobre a própria condição de vida e, fundamentalmente, para análise das sociedades ao compor, consolidar e alargar um saber especializado pautado em teorias e pesquisas que esclarecem muitos problemas da vida social.
Dessa forma os grandes problemas nos dias de hoje provenientes do acirramento de forças do capitalismo mundial e do desenvolvimento industrial desenfreado, entre outras causas, exigem sujeitos capazes de refutar a lógica neoliberal da destruição social e planetária. É tarefa inadiável da escola e da Sociologia a formação de novos valores, de uma nova ética e de novas práticas que indiquem a possibilidade de construção de novas relações sociais.
Mergulhando um pouco mais nos vídeos propostos: “Ensino de Sociologia TV Paulo Freire – Partes 1, 2 e 3 – Nós da Educação, a Professora Ileizi Fiorelli, inicia com uma discursão sobre o valor da sociologia, esta que busca responder a demandas da sociedade, buscando a sua legitimação na sociedade como disciplina que mexe e incomodam os pseudos valores sociais, familiares, dogmáticos, abaladores das constituições do individuo. Citando Bourdieu como um dos principais pensadores desta sociologia que adentra a sociedade de forma positivista ou revolucionaria.
Ressalta um critica a fragmentação quem ocorre no período contemporâneo nas diversas disciplinas recentes, bem como com a sociologia, resultado do evento histórico da revolução industrial, bem como o manual didático dos anos 20 e 30, partindo do pensamento de Mekesenas, que se coloca contrario ao feminismo e a greve, forçando a saída do natural, mexendo mais uma vez com os pseudos valores, conduzindo-nos aa um profundo pensamento das estruturas. Reflete sobre o surgimento das escolas superiores de 1934/38, mas que iniciam com as escolas normais, resgatando a memoria Gilberto Freyre que foi um dos primeiros professores de sociologia em Recife.
Como já mencionado no texto O ensino das Ciências Sociais/Sociologia no Brasil: história e perspectivas, de autoria de Ileizi Fiorelli publicado no livro Sociologia: ensino médio, coordenado por Amaury César Moraes e também no meu relato anterior, ressalta que a sociologia no Brasil surge com Comte, o positivismo seguido de DurKheim, ambos oriundos da pedagogia. Recordando a reforma de Capanema, onde as disciplinas sociais, nos Estados Unidos, são ensinadas de forma breve, simples, perdendo o caráter real, o valor cientifico, desqualificado todos os profissionais da área, lembrando que neste momento a sociologia não entra no currículo, sendo trabalhada outras disciplinas em seu lugar.
Com a ditadura militar, os professores dos centros de estudos, vão para o exterior, distanciando cada vez mais os educandos do conhecimento sociológico, que viabiliza o pensamento e a compreensão de uma sociedade mais igualitária, fora dos tipos padrões legais. Com isso gerando um grande desafio para que esta disciplina retorne a compor o currículo, mas um avanço ocorre no sul e sudeste, novos cursos de ciências sociais, fazendo com que os professores revejam seus conceitos e procedimentos metodológicos, afim de tornar atrativa o estudo da sociologia.


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