MÍSTICA: EXPERIÊNCIAS DO COTIDIANO NA ANCESTRALIDADE RELIGIOSA
Adson
Silva[i]
Mas o que vem a ser mística?
Partindo de um artigo do Frei Vitorio[ii]
frade franciscano, ele ressalta que: o termo MÍSTICA, como substantivo, provém
do adjetivo MISTIKÓS, derivados do verbo MÚEIN que quer dizer: fechar os olhos
e a boca. Olhos fechados para enxergar somente o segredo, e a boca para não se
revelar, a não ser no momento ou à pessoa certa. Deste verbo grego MÚEIN deriva
o substantivo MISTÉRIO, que designa, no sentido helenístico: o rito religioso
secreto de iniciação que coloca em contato o ser humano com a divindade. Na
Teologia Espiritual do Novo Testamento, o termo MISTÉRION é usado para elucidar
a compreensão do mistério do Reino de Deus, a sabedoria escondida do Pai, a
presença do Filho no mistério da Encarnação, o destino final da caminhada
terrena e a relação mística entre Jesus Cristo e a Igreja. Na Vulgata, o termo
é traduzido como MISTERIUM ou SACRAMENTUM. Nos primeiros séculos do
cristianismo, a palavra não é apenas uma identidade lexical, mas realidade
teológica. A pergunta volta sempre porque não dá mesmo para definir o que seja
de uma vez por todas. É como o caminho, na educação popular: é caminhando que
se faz caminho. O entendimento do que sejam e de quais as diferenças e relações
entre mística e espiritualidade vai ficando mais claro nas práticas de busca
dessas qualidades do ser humano.
E
este é o caminho traçado por tantos sacerdotes das diversas religiões, dentro
de sua pratica, do seu exercício de ser e fazer fortalecer a religiosidade que
trazem de suas heranças ancestralidades.
Nada mais que qualidades do ser humano, independente dele ser homem ou
mulher, tendo originado no sopro da vida, o mesmo presente no livro do Genesis,
na “criação do homem Adão”, num desejo do Alto de torná-los, home e mulher a
sua “Imagem e Semelhança” (Gn 1, 26-30), dotados dum livre arbítrio que nos
possibilita a escolha a exemplo da liberdade do próprio Deus, nos tornando bons
ou nãos nos caminhos que escolhemos de vida.
A parábola do semeador, presente no
livro do Evangelho de Mateus, no capitulo 13, nos auxilia na compreensão do vem
ser essa mística atrelada à espiritualidade. Vislumbramos esta semente como um
chamado que cada um recebe desde o momento de sua concepção, uma bia proposta e
que respondemos de acordo dom nossas convicções. Jesus nos adverte a amar uns
aos outros a seu exemplo, isto independente da orientação religiosa, no
contexto deste trabalho, onde a religião do candomblé é ressaltada, Olorum, que
é amor, nos convida a amar indistintamente, mas diversos são os terrenos e os
corações onde essa boa semente é lançada, algumas são como o terreno pisado e
duro das estradas; outras, como o terreno pedregoso; outras, como um terreno
infestado de espinhos; outras, enfim, como o terreno fértil, que acolhe e faz
germinar a semente, produzindo frutos, gerando vida a exemplo dos orixás, que
são fecundos dentro da doutrina desta religião, atrelado ao principio de se
colocar a serviço do outro para que a exemplo de Deus/Olorum, possa se doar
naquilo que se propõem a viver.
Todos
antes de abraçarmos a religião, que nos conduzira há uma experiência mística de
contato com o Imanente, Transcendente, traz consigo suas motivações, ideias e
valores do cotidiano, o seu modo de viver e fazer a prática religiosa, de
conviver com as pessoas e com a terra em seu todo, cada elemento que a ela
compõem ressaltando com isso a sua mística. E a tem como fruto do que
Deus/Olorum semeou nela e do que ela própria semeou em si; isto é, do
interesse, da busca, maior ou menor, do que a ajudaria a ser melhor; essa
semeadura, essa busca, realizada por meio de diferentes práticas, é o seu
cuidado com seu espírito, o cuidado para ser um terreno fértil, em que novas
sementes podem germinar: é a sua espiritualidade, que resume em ser um conjunto
de praticas que caracterizam cada um e todos os caminhos escolhidos na busca de
serem melhor a cada dia, alimentados pela força do espirito/orixá,
transformando a cada passo o seu e dos que o circunda seu caminho.
[i] Adson Silva, Professor, Historiador, Teólogo,
Psicopedagogo, estudante da UFBA – Universidade Federal da Bahia – do Curso UAB
- Especialização no Ensino da Sociologia no Ensino Médio.


































































