quarta-feira, 27 de maio de 2015

A estratificação social, as instituições e as mudanças sociais.

A estratificação social indica a existência de diferenças, de desigualdades entre pessoas de uma determinada sociedade. Ela indica a existência de grupos de pessoas que ocupam posições diferentes.
São três os principais tipo de estratificação social: Estratificação econômica, baseada na posse de bens materiais, fazendo com que haja pessoas ricas, pobres e em situação intermediária. Estratificação política, baseada na situação de mando na sociedade (grupos que têm e grupos que não têm poder). Estratificação profissional, baseada nos diferentes graus de importância atribuídos a cada profissional pela sociedade. Por exemplo, em nossa sociedade valorizamos muito mais a profissão de médico do que a profissão de pedreiro.
É importante ressaltar que todos os aspectos de uma sociedade – economia, política, social, cultural, etc. – estão interligados. Assim, os vários tipos de estratificação não podem ser entendidos separadamente. Por exemplo, as pessoas que ocupam altas posições econômicas em geral também têm poder e desempenham posições profissionais valorizadas socialmente. A estratificação social é a divisão da sociedade em estratos ou camadas sociais. Dependendo do tipo de sociedade, esses estratos ou camadas podem ser: castas (Índia), estamentos (Europa Ocidental durante o feudalismo) e classes sociais (sociedades capitalistas).
 O que é de fato uma instituição social: São todas aquelas estruturas sociais ou formas de organização estáveis como a Família, a Igreja, a Escola ou uma Empresa, que são baseadas em regras e procedimentos padronizados, socialmente reconhecidos, aceitos, sancionados e seguidos pela sociedade. Em outras palavras, poderíamos dizer também que são os modos de pensar, de sentir e agir que a pessoa, ao nascer, já encontra estabelecidos e cuja mudança se faz muitas vezes com dificuldades. E mais, elas existem para satisfazer necessidades e servem como formas de controle social.
As principais instituições são: A Família é aquele tipo de agrupamento social cuja estrutura varia em alguns aspectos no tempo e no espaço. Essa variação pode se referir ao número e à forma de casamento, este que por sua vez é uma exigência social, ao tipo de família e aos papéis familiares. A Igreja, Uma coisa é fato, todas as sociedades conheceram e conhecem alguma forma de religião. E enquanto a origem de todas as outras instituições pode ser encontrada nas necessidades físicas do homem, a religião não corresponde a nenhuma necessidade material específica. De certa forma, cada povo tem nas crenças religiosas um fator de estabilidade social e de obediência às normas sociais da sociedade. Por isso, dizemos que a religião sempre desempenhou uma função importante e indispensável. Todas as religiões têm seu lugar de culto: igrejas, templos, mesquitas, sinagogas, etc. E assim como a família, a religião, ou as religiões também sofreram muitas mudanças. É inegável que a Religião continua sendo uma das principais instituições a influir no comportamento humano, porém, ela não constitui condição imprescindível da ordem social. O Estado, todos os recursos recolhidos pelo Estado, teoricamente deveriam ser investidos em investimentos de infraestrutura e preste os serviços sociais básicos à população, além, claro, manter a máquina administrativa do Estado. Para retirar estes recursos da população, o Estado se baseia numa qualidade que é a essência dele mesmo: seu poder de coerção. Esse poder autoriza o Estado e recorrer a várias formas de pressão para fazer valer seu direito de cobrar impostos. O governo pode adotar as seguintes formas: monarquia ou república. Há, no entanto, variações nestas formas de governo. Em países da Europa (Grã-Bretanha, Espanha, Suécia e Noruega) existem as chamadas monarquias institucionais (que também podem ser parlamentaristas). E em outros países a república parlamentarista e ainda a presidencialista.
A mudança social é em suma toda a transformação observável no tempo, que afeta, de modo não provisório ou efêmero, a estrutura ou o funcionamento da organização social de uma dada coletividade e modifica o curso da sua história. É a “transformação dos valores, ideais e formas de relacionamento resultantes, nomeadamente, de processos de modernização que questionam o antigo e do relacionamento mais forte entre os povos dos diferentes espaços nacionais, em virtude dos processos progressivos de interdependência a nível mundial”. As causas se dá por meio de duas forças: endógenas ou internas da própria sociedade que serias as invenções e exógenas ou externas que seria a difusão cultural. Os fatores contrários às mudanças se dão no deparar-se com os obstáculos e resistências que se concentram em sua maioria no que tange ao cristianismo e a democracia com seus diversos aspectos e fatores.

As atitudes individuais ou de grupo, podem ou não favorecer a mudanças, destaco aqui as atitudes conservadores, progressista e revolucionarias. Consequentemente, as invenções e a difusão cultural são processos que ocasionam mudanças sociais, pois suscitam modificações nos costumes, nas relações sociais e instituições. Gradativamente as reformas não destoem as instituições, mas buscam melhorar sem romper com os costumes, por outro lado as revoluções, atitudes violentas, destroem tais instituições sociais e seus relacionamentos pois  rompem com os costumes e as bases, no desejo implantar uma nova ordem social, ocasionando de fato a desorganização social.

quarta-feira, 20 de maio de 2015

A indústria cultural segundo o pensamento de Theodor Adorno


O presente texto tem a pretensão de abordar os princípios da indústria cultural dentro do contexto cultural, segundo o pensamento de  Theodor Ludwig Wiesengrund-Adorno, este que por sua vez foi objeto de estudo dentro de uma das unidades do nosso curso de sociologia. De inicio perpassaremos por uma breve reflexão da biografia deste autor, seguido de uma viagem sobre o principio da indústria cultural, seus prejuízos e contribuições, tendo como base as discursões ocorridas dentro da própria disciplina.
Este renomado intelectual alemão, Theodor Ludwig Wiesengrund-Adorno, nascido em Frankfurt, no dia 11 de setembro de 1903 , formou-se em filosofia, sociologia, psicologia, e tornou-se também musicólogo e compositor, graduando-se na Universidade de Frankfurt.
O empenho intelectual de Adorno o levou a defender, já em 1924, sua tese sobre a fenomenologia de Edmund Husserl. Antes mesmo de se formar ele se torna amigo de Walter Benjamin e de Max Horkheimer, seus futuros companheiros de militância intelectual e política. Sua trajetória intelectual tem início em 1933, quando lança sua tese sobre Kierkegaard.
As primeiras publicações deste filósofo alemão: A Teoria do Romance e História e Consciência de Classe, mais tarde rejeitadas por ele, para completa desilusão de Adorno, influenciam profundamente sua produção acadêmica, sustentando seus ideais e os rumos de sua mente brilhante.
Adorno foi mais um dos adeptos da Escola de Frankfurt que, durante o processo de nazificação da Alemanha, foi obrigado a se refugiar na América, por ser de ascendência judaica e também por sua vocação para o socialismo.
Segundo Kant, os homens deveriam fazer uso da razão para tomarem conta do próprio destino. O conceito de esclarecimento utilizado por Adorno não significava o processo emancipatório que conduziria o ser humano à autonomia e determinação, daí a inclusão do termo 'dialética' como contradição. De acordo com Kant, como seres humanos, portanto, abandonaríamos a menoridade e chegaríamos a muendigkeit (maioridade) a partir de alguns pressupostos. Adorno e Horkheimer vão mostrar que esta realidade não se concretizará.
Para alguns teóricos dos anos 90, caso de John Thompson, nada do que foi escrito pelos teóricos de Frankfurt sobre “indústria cultural” pode ser levado à sério: Duvido que alguma coisa se possa ainda resgatar hoje dos escritos mais antigos dos teóricos da Escola de Frankfurt, como Horkheimer, Adorno e Marcuse: sua crítica do que eles chamavam de “a indústria cultural” era muito negativa e se baseava em conceitos questionáveis sobre as sociedades modernas e suas tendências de desenvolvimento.
Para Adorno, a cultura transcende a autopreservação sistêmica da espécie, pois traz em seu suporte a dimensão crítica contra todas as instituições que existe. Dentro deste contexto, o mesmo descreve no que tange a relevância da indústria cultural, o que importa destacar é que dessa arte popular a indústria cultural se distingue radicalmente: enquanto a cultura popular teria um caráter mais espontâneo e nasceria internamente, numa dada comunidade, a indústria cultural constitui uma manifestação maquinal produzida exteriormente (sob a égide do capital).
Segundo os autores, a indústria cultural produziria a regressão do sonhado esclarecimento para a ideologia, que encontra no cinema e no rádio sua expressão mais influente talvez encontremos, na crítica ao rádio, mais uma demonstração de que os dedos de Adorno teriam escrito as justificativas do termo proposto anteriormente por Max Horkheimer.
 Certamente o grande entrave do conceito de indústria cultural, no âmbito das ciências sociais, deva-se à não mensurabilidade dos efeitos advindos dessa produção cultural de massa. Citando o que o mesmo autor diz no seu texto: "A verdade em tudo isso é que o poder da indústria cultural provém de sua identificação com a necessidade produzida".
É importante salientar que, para Adorno, o homem, nessa Indústria Cultural, não passa de mero instrumento de trabalho e de consumo, ou seja, objeto.
 Adorno, no decorrer do texto, abre o problema da indústria cultural, num certo tom critico, afirmando que o declínio da religião no mundo ocidental, decorrente do avanço dos processos de racionalização e secularização, não causou um caos cultural pela falta de uma unidade de referência coletiva, pois o cinema, o rádio e as revistas se constituíram num substituto para ela. A indústria cultural desenvolveu-se com o predomínio que o efeito, a desempenho tangível e o detalhe técnico alcançaram sobre a obra, que era outrora veículo da ideia e com essa foi liquidada. Basicamente em boa parte da produção cultural, da indústria cultural a qualidade estende-se, antes de qualquer coisa, não por um dado.
Enquanto para a Indústria Cultural o homem é mero objeto de trabalho e consumo, na arte é um ser livre para pensar, sentir e agir. Além disso, para Adorno, a Indústria Cultural não pode ser pensada de maneira absoluta: ela possui uma origem histórica e, portanto, pode desaparecer. Paradoxalmente, devido ao entendimento semelhante ao estrutural funcionalismo, Adorno e Horkheimer também enxergam a indústria cultural como um sistema. Se Adorno equivoca-se ao não lançar mão de outros métodos para comprovar suas hipóteses, pior revelam-se seus críticos, incapazes de observar que Adorno e Horkheimer não teorizam, mas reproduzem um sistema de verdades óbvias e incontestáveis em sua generalidade.
Criticamente Adorno, ressalta que hoje, ideologia significa sociedade enquanto aparência. Dessa forma, a ideologia deixa de ser falsa consciência para se tornar propaganda do mundo: a organização do mundo converteu-se a si mesma imediatamente em sua própria ideologia. Não há mais ideologia no sentido próprio de falsa consciência, mas somente propaganda a favor do mundo, mediante a sua duplicação e a mentira provocadora, que não pretende ser acreditada, mas que pede o silêncio.
De certo a indústria cultural está corrompida, mas não como uma Babilônia do pecado, e sim como catedral do divertimento de alto nível, ressalta Adorno, com falsa unção a indústria cultural proclama orientar-se pelos consumidores e lhes oferecer aquilo que desejam para si. De forma bem clara, no que se refere aos meios midiáticos, onde a cultura industrial apela para que o sujeito aceite tudo que lhe é oferecido, sem ao mesmo tecer criticamente seu pensamento, o mesmo ressalta que não é bem que a indústria cultural se adapte às reações dos clientes, mas sim que elas as fingem e finge muitíssimo bem.
Tal dominação, como diz Max Jimeene, comentador de Adorno, tem sua mola motora no desejo de posse constantemente renovado pelo progresso técnico e científico, e sabiamente controlado pela Indústria Cultural.
Num tom critico ao sistema real de ensino, ressalta que este deixou de certa forma de ser emancipatório, e indo um pouco além retoma o passado em alusão ao presente, ele vê as massas através da aludida pureza conceitual perdida. Pala ele, o capitalismo já se encarregou de transformar tanto Mozart quanto Aviões do Forró em mercadorias; por fim, a indústria cultural no atual estágio de acumulação capitalista não é uma produção de base fordista, mas, de fato, flexível. Logo, a diferenciação é sua marca: diferenciação sempre indiferenciada, mas existente. Assim, evitando suprimir a dialética em Adorno, e também evitando as relações causais e substancialistas, é necessário perpetrar uma tentativa de reequacionamento da relação entre estrutura e ação na análise da indústria cultural, mostrando, para além das ideologias e para além das resistências, uma tensão entre elas. Contudo, a presente reflexão procura evitar um equilíbrio entre os dois lados do campo de forças (dominação e resistência).
Segundo Adorno, a indústria cultural impede a formação de indivíduos autônomos, independentes, capazes de julgar e de decidir conscientemente. Dentro deste prisma, a ideia dos frankfurtianos merece respeito pelo pioneirismo em abrir os olhos da humanidade para este novo fenômeno de mercado. Para eles, na indústria cultural, tudo se torna produto. Enquanto negócio, seus fins comerciais são realizados por meio de sistemática e programada exploração de bens considerados culturais.
Um exemplo disso, dirá Adorno, é o cinema. O que antes poderia ser mecanismo de lazer, ou seja, uma arte, agora se tornou um meio eficaz de manipulação. Portanto, segundo a visão dos teóricos alemães, podemos dizer que a indústria cultural traz consigo todos os elementos característicos do mundo industrial moderno e nele exerce um papel específico. Ou seja: o de portador da ideologia dominante, a qual outorga sentido a todo o sistema.
Na Teoria Estética, obra que tentará explanar pensamentos sobre a salvação do homem, Adorno dirá que não adianta combater o mal com o próprio mal. Exemplo disso ocorreu no nazismo e em outras guerras (FREITAG). Segundo ele, a antítese mais viável da sociedade selvagem é a arte. A arte é que liberta o homem das amarras dos sistemas e o coloca como um ser autônomo e, portanto, um ser humano. Enquanto para a indústria cultural o homem é mero objeto de trabalho e consumo, na arte é um ser livre para pensar, sentir e agir. A arte é como se fosse algo perfeito diante da realidade imperfeita, cuja estratégia se revela no assassinato, na corrupção e paranoia consumista.
Logo, existe uma evolução no pensamento de Adorno. Ele não reconhece a generalização imperfeita de sua proposição para o conceito da indústria cultural. Antes disso, retoma uma teoria bastante coerente para a importância da arte e estética. Como já mencionado anteriormente, em todo caso, a análise pioneira da indústria cultural desperta os demais ramos de estudos da comunicação e dos seus meios para conseguir chegar ao objeto maior desta indústria que passa pela dominação daqueles que se tornam usuários desta mesma indústria,  para encontrarem mecanismos de pesquisa que comprovem ou rejeitem a proposta de Adorno e Horkheimer.
Neste momento recordo-me do clássico Show de Truman, com uma brilhante e celebre frase, “vivemos, a cada dia mais, o show de Truman”. De certo vigiados e conduzidos pelo sistema industrial cultural, onde situados num enorme circulo do cenário real e social, povoados por seres que embasam suas vidas e praticas reais nos recortes midiáticos, que adentram as nossas vidas. Uma falsa realidade, onde para Christof, personagem principal da trama, este dissuadindo o senso de exploração dando sumiço em seu pai, fazendo com que este, acredite que o mesmo morrera em alto mar e afastando seu único amor.
Não muito distante e diferente da realidade de inúmeros indivíduos que legitimas as suas realidades na temporalidade das tele novelas, produto desta indústria cultural, vivendo de facetas, que oscilam a cada nova estreia, a cada no estilo ditado pela mesma, vivendo a futilidade da irrealidade, como débeis culturais, formadores de pensamentos e protagonistas de suas vidas e historias, verdadeiros objetos.
De certa forma o filme Truman, mostra o poder da mídia, esta indústria cultural como menciona Adorno, inspirando espectadores ao redor do mundo, o que significa que suas vidas acabam sendo controladas por quem manipula esse poder midiático, exemplo diste vemos por 15 anos a rede globo realizar esta façanha e rendendo milhões de pessoas desejando ser manipuladas.
O mundo se encontra faminto por publicidade, por holofotes, o show de Truman, ou poderia chamar a síndrome de Truman, mostra nitidamente a desilusão que se encontra o mundo contemporâneo.
Por fim, podemos dizer que Adorno foi um filósofo que conseguiu interpretar o mundo em que viveu, sem cair num pessimismo. Ele pôde vivenciar e apreender as amarras da ideologia vigente, encontrando dentro dela o próprio antídoto: a arte e a limitação da própria Indústria Cultural. Portanto, os remédios contra as imperfeições humanas estão inseridos na própria história da humanidade. É preciso que esses remédios cheguem à consciência de todos (a filosofia tem essa finalidade), pois, só assim, é que conseguiremos um mundo humano e sadio.

Referencias:
ADORNO, Theodor W. Textos Escolhidos. Trad. Luiz João Baraúna. São Paulo: Nova Cultural, 1999. (Os Pensadores)
ADORNO, Theodor W. Mínima Moralia: Reflexões a partir da vida danificada. Trad. Luiz Eduardo Bisca. São Paulo: Ática, 1992.
FREITAG, BARBARA, Teoria Crítica: Ontem e Hoje. São Paulo: Brasiliense, 1986.
HORKHEIMER, M., e ADORNO, T. W., Dialética do Esclarecimento: Fragmentos filosóficos. Trad. Guido Antonio de Almeida. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1997.
HABERMAS, J. O Discurso filosófico da modernidade. Trad. Ana Maria Bernardo e outros. Lisboa: Publicações Dom Quixote, 1990.
MERQUIOR, José Guilherme. Arte e sociedade em Marcuse, Adorno e Benjamin. Tempo Brasileiro, Rio de Janeiro, 1969
PUCCI, B.; OLIVEIRA, N.R.; ZUIN, A.A.S. Adorno: o poder educativo do pensamento crítico. 3ª ed. Petrópolis: Vozes, 2003
SLATER, Phil. Origem e Significado da Escola de Frankfurt. Rio de Janeiro, Zahar Editores, 1978.
THOMPSON, John B. A Mídia e a Modernidade: uma teoria social da mídia - Petrópolis, RJ : Vozes, 1998.

WIGGERHAUS, Rolf. A Escola de Frankfurt, História, desenvolvimento Teórico, significado político Editora Difel, 2001.