sábado, 1 de novembro de 2014

Um Corpo Homoafetivo: Compreensão a partir de uma visão Bíblica



Um corpo homoafetivo
Compreensão a partir de uma visão bíblica


Adson Silva [1]


Resumo: O presente texto trata-se da inquietação de corresponder com o entendimento a cerca da dimensão da doutrina do corpo numa visão bíblica do homossexualismo. Debater sobre questões que são ocultadas pela sociedade são de grande importância para se começar a perceber os problemas de determinados grupos e tratar de questão preponderante à qualidade de vida em aspectos gerais. O presente ensaio apresenta algumas considerações teóricas, bíblicas sobre o comportamento destes indivíduos envolvidos nesta temática, relacionados ao contexto de vida político, cultural e social. Oportunamente, apresenta aspectos e passagens bíblicas que buscam esclarecer questões preponderantes ao gênero, escolha, homossexual. Finalizando, apresento uma poesia de José Régio, como retrato deste processo de des-construção identitária, necessária a todo ser que se lança no árduo trajeto de descoberta do novo.

Unitermos: Bíblia, Corpo, Gênero, Homossexualidade, Sociedade.

Esse artigo nasce de fortes momentos de inquietação, questionamentos, construções, desconstruções, negações e possíveis afirmações. Num processo intrínseco de me permitir desvendar os véus do templo, desnudar o que realmente era e sou, éramos e somos.

A psicologia me aponta que sou uma dualidade real de amor e ódio, o bem e o mal coabitando num mesmo espaço corporal, já a filosofia que sou um ser incompleto, que somente será inteiro no relacionamento com outro, dotado de bens sensíveis e irascíveis. Teologicamente sou matéria, sou corpo dotado de alma, oriundo da terra, que para ela voltarei, o corpo não é um fim em si mesmo, mas um meio para nos expressarmos.  Um ser homo, sexuado, afetivo.

Um corpo que há tempos foi entendido como prisão da alma, envoltos numa penumbra, corpos letárgicos e imóveis. Recordo-me de Platão no seu mito cavernal, prisioneiros que desde o nascimento são acorrentados no interior de uma caverna de modo que olhem somente para uma parede iluminada por uma fogueira. Essa, por sua vez ilumina um palco onde estátuas dos seres como homem, planta, animais etc. são manipuladas, como que representando o cotidiano desses seres. Uma única imagem se vê, nome é dado a ela, natural do ser humano, uns se gabam, outros se vangloriam, no imenso torneio da vida.

Um dos prisioneiros é forçado a sair das amarras e vasculhar o interior da caverna. Ele veria que o que permitia a visão era a fogueira e que na verdade, os seres reais eram as estátuas e não as sombras. Perceberia que passou a vida inteira julgando apenas sombras e ilusões, desconhecendo a verdade, isto é, estando afastado da verdadeira realidade. “Que sociedade mesquinha, medíocre aquela que não permite os seus membros alçarem vôo da descoberta, do conhecimento”.

Uma sociedade que impede os seus membros – crianças e adultos – possam desenvolver ao máximo as suas capacidades em virtude do seu meio ou cultura de origem, ou que lhes negam plenos direitos de cidadania em razão do seu local de nascimento, não é uma sociedade viável, pois está fixada no passado e esquece-se do futuro. É imperioso repensar o papel da Sociedade, do Estado e das instituições educativas e a ação dos educadores e dos professores neste contexto econômico, social e político mais complexo, marcado por desigualdades e exclusões dos mais variados tipos, nomeadamente as que se realacionam com a identidade e a diversidade. (THÜRLLER, 2012).

Imaginemos ainda que esse mesmo prisioneiro fosse arrastado para fora da caverna. Ao sair, a luz do sol ofuscaria sua visão imediatamente e só depois de muito habituar-se à nova realidade, poderia voltar a enxergar as maravilhas dos seres fora da caverna. Não demoraria a perceber que aqueles seres tinham mais qualidades do que as sombras e as estátuas, sendo, portanto, mais reais. Significa dizer que ele poderia contemplar a verdadeira realidade, os seres como são em si mesmos. Não teria dificuldades em perceber que o Sol é a fonte da luz que o faz ver o real, bem como é desta fonte que provém toda existência, todo ser, todo gênero, do tempo, do calor, do aquecimento dos corpos.

Maravilhado com esse novo mundo e com o conhecimento, com a descoberta de si, de ser que então passara a ter, na realidade, lembrar-se-ia de seus antigos amigos, sentiria pena deles, da escuridão em que estavam envoltos e anuncia a liberdade. No entanto, prisioneiros não conseguem vislumbrar senão a realidade que presenciam, debocham, faz escárnio do liberto, dizendo-lhe loucura e que se não parasse com suas maluquices acabariam por matá-lo.
Os prisioneiros? A sociedade? Somos nós que, segundo nossas tradições diferentes, hábitos diferentes, culturas diferentes, estamos acostumados com as noções sem que delas reflitamos para fazer juízos corretos, mas apenas acreditamos e usamos como nos foi transmitido. A caverna é o mundo ao nosso redor, físico, sensível em que as imagens prevalecem sobre os conceitos, formando em nós opiniões por vezes errôneas e equivocadas, (pré-conceitos, pré-juízos). Quando começamos a descobrir a verdade, temos dificuldade para entender e apanhar o real.

Amor e sexo, gênero e ser, homo e sexus, tomo posse das palavras de Rita Lee, Roberto de Carvalho e Arnaldo Jabor, na poesia-canção que diz: “é um livro, é esporte, é escolha, é sorte... É pensamento, teorema, novela, cinema. Imaginação, fantasia, prosa, poesia, nos torna patéticos, numa selva de epiléticos... É cristão, pagão, latifúndio, invasão. Amor é divino, Sexo é animal. Bossa nova, carnaval. É para sempre, também, do bom e do bem, amizade e vontade, antes e depois. Amor é isso, sexo é aquilo, coisa e tal, tal e coisa... Ai o amor! Hum! O sexo!!! O gênero no corpo, liberto da penumbra do preconceito, sendo homo, sendo sexus, sendo SER.

Os corpos possuem uma linguagem específica que, como outras fontes, precisa ser interpretada. Os corpos são esculpidos a partir de suas experiências. Não é uma tarefa fácil entender a linguagem do corpo, linguagem ambígua e permeada por relações de poder. Não é possível falar em experiência masculina fora do corpo. A força desta afirmação é dada pelo contexto da dualidade entre corpo e alma.

Os corpos masculinos são treinados para não sentir dor, ou melhor, para não demonstrar a dor que deveras sentem. Não é possível continuarmos pensando que os homens são seres insensíveis. O isolamento e a solidão a que são submetidos forma sua identidade e molda seus corpos para que sofram calados. O desafio que se apresenta é a valorização da corporeidade masculina sem a necessidade de manter a dicotomia corpo vs. espírito, sexo vs. amor, homossexualidade vs. heterossexualidade, felicidade vs. padrão social.

A valorização do sexo constitui um dispositivo ideológico que sustenta as pretensões de acesso exclusivo ao poder religioso e social por parte dos homens. Está em contradição com a kenosis (O termo "kenosis" vem da palavra grega para a doutrina do auto-esvaziamento de Cristo em sua encarnação. A kenosis foi uma auto-renúncia, não um esvaziamento de sua divindade e nem uma troca de divindade pela humanidade) efetuada por Cristo, descrita por Paulo na Carta aos Filipenses 2,7: ele se esvaziou de sua condição de divindade para assumir um corpo como o nosso, a fim de sentir o que sentimos e sofrer o que sofremos.

Tal esvaziamento que perpassa pela valorização da corporeidade, dimensão do corpo, em sua relação, mesmo que dicotômica, mas que em si precisa ser reconhecida e valorizada. Cristo sendo Deus se submete a realidade de homem, fazendo valer a doutrina do corpo como ponto de partida para vencer as dificuldades da vida, que em seu tempo denominava-se a tentação demoníaca do pecado, as tentações da carne, e que hoje se pode traduzir pelo preconceito de não aceitar este corpo como principio desta relação com o outro, não importando quem seja este outro.

Somos seres de diversidade, imprescindível, consciente da nossa existência, do sexo, do gênero, processo de construção sócio-histórica, da masculinidade, da homoafetividade, das experiências de vida ponto de partida, muito rica, que deve ser valorizada e criticada simultaneamente, preservando a beleza de ser o SER HUMANO.

Estar apto a reconhecer a multiplicidade humana, a aceitá-la como possível e a considerar que esses sujeitos devam ter os                                                                                                                     mesmos tratamentos e direitos concedidos a qualquer outro cidadão e cidadã, parece ser um exercício, cognitivo e político, que se processa de modo desigual nas pessoas – e em consequência nos países, nas                                                             leis, na vida em sociedade. (FURLANI)

Vivemos tempos em que a identidade é vista de forma unilateral, onde a dominação identifica a experiência masculina, puramente relações de dominação. Para alguém ser considerado homem, é importante que apresente símbolos dessa virilidade. Esses símbolos deve ser auto-evidentes, pois “ser homem, no sentido de vir, implica um dever-ser, uma virtus, que se impõe sob a forma do “é evidente por si mesma’, sem discussão”. Existe sempre o perigo do questionamento da virilidade, entendida de forma relacional. A violência é utilizada como prova de virilidade, porque ela é uma realidade na biografia masculina: desde criança, as brincadeiras e jogos masculinos estão permeados por ela.
O sentido de identidade se inscreve numa tensão e numa homologia entre o indivíduo e o grupo, entre as necessidades internas e as influências sociais, entre singularidade e pluralidade. Dentro deste contexto de tensão a construção desta identidade passa inicialmente pela via da desconstrução, pois o ser somente é num termo social, onde a verdade se fragiliza, se contradiz se abre a possibilidade da diversidade:

Desconstruir é caracterizar o modo pelo qual um texto pode ser lido e explicitado em suas contradições, desfazendo as fronteiras entre suas oposições, “subvertendo a ordem e os valores hierárquicos tradicionais contidos nelas”.
Desconstruir é fragilizar uma “verdade” e predispor a mente a considerar outras possibilidades. (FURLANI)

Compreender e apreender o entendimento de “normal”, de possível, de “natural”, a partir dos sujeitos que são representados positivamente no contexto social. “Quem tem ouvidos para ouvir, ouça...” (Mt, 11,15).


Considerações sobre a Homossexualidade
Originariamente, o termo homossexualidade apareceu pela primeira vez em um panfleto alemão de autoria anônima, publicado em 1869, o qual se opunha a uma lei prussiana de anti-sodomia. No mesmo ano, o termo homossexualidade foi utilizado por um médico húngaro que defendia sua legalização. Este termo detinha uma conotação científica que permitia se falar do fenômeno de maneira objetiva e sem um julgamento negativo. Para elencar os homossexuais dentro da legalidade, sem juízos de valor, criou-se não apenas o termo homossexualidade, mas também se definiu a heterossexualidade. Na última década do século XIX, o termo homossexualidade apareceu pela primeira vez na língua inglesa, num trabalho do tradutor Charles Gilbert Chaddock e, desde então, tem sido amplamente utilizado na literatura contemporânea versando sobre o tema.

Criaram-se, em seguida, outros termos para se discutir a homossexualidade. Em primeiro lugar a homossexualidade foi definida como preferência sexual a fim de rebater a psiquiatria tradicional que a considerava como uma perversão, ou, genericamente falando, um “desvio”. Quando os militantes homossexuais tentaram provar a natureza genética de seu comportamento, passaram a falar em orientação sexual. Também se utilizou outro termo como “modo de vida alternativo”.

Hoje, o termo “orientação sexual” determina vários significados diferentes e, segundo os estudiosos que detém uma visão positiva sobre o termo, existem três orientações sexuais, todas as três normais, naturais e fixas em adultos (isto é, imutáveis):

- heterossexual – o indivíduo que se sente sexualmente atraído por pessoas do sexo oposto;

- homossexual – o indivíduo que se sente sexualmente atraído por pessoas do mesmo sexo;

- bissexual – o indivíduo que se sente atraído tanto por pessoas de ambos os sexos, não necessariamente no mesmo grau de intensidade.

A homossexualidade é definida como a preferência sexual por indivíduos do mesmo sexo. Este conceito é um tanto vago, já que o termo “preferência” pode conotar a tendência a escolher, optar, e hoje se reconhece que a homossexualidade não é mais vista como opção, mas como uma orientação sexual normal e definida na infância e, conforme estudos mais hipotéticos, até mesmo genética.

Muitas pessoas têm a ideia pré-concebida de que a humanidade toda é heterossexual e que uma minoria de indivíduos encontra-se "viciada" num comportamento homossexual. Assim, acreditam que a homossexualidade é, simplesmente, um comportamento anticonvencional que muitas pessoas escolhem externar. Outros indivíduos acreditam que a homossexualidade é uma das três orientações sexuais normais, ou seja, o indivíduo simplesmente é não opta.

Como o grupo heterossexual é majoritário e elaborador das leis de comportamento aprovado e reprovado, o subgrupo homossexual tende a ser considerado como exogrupo e, muitas vezes ao longo da história da humanidade, como exogrupo "bode expiatório" que vai pagar pelos "pecados" da sexualidade como um todo.

A sexualidade humana é um fenômeno complexo. Entre a atração forte e exclusiva de um homem por uma mulher, de um homem por outro homem, ou de uma mulher por outra mulher, existe uma infinidade de sensações sexuais e emocionais: o desejo, a excitação ou mesmo a frieza em qualquer relacionamento humano depende dos indivíduos inseridos em determinada situação, e não em quaisquer das especificações arbitrárias que poderiam ser impostas através de sociedade, tais como os rótulos que tentam definir se o indivíduo é heterossexual ou homossexual. Assim, um bebê do sexo masculino não deve ser rotulado como heterossexual apenas porque nasceu com esta definição sexual, mas sim estar livre para que sua orientação sexual se desenvolva sem os freios da sociedade.

Alguns homens desejam fazer sexo com outros homens e este desejo é algo permanente em suas vidas. Alguns são meramente curiosos a respeito de corpos masculinos, e podem experimentar, em algum momento de suas vidas, um contato mais íntimo. Outros se sentem, igualmente, atraídos por homens e mulheres. Para alguns, o prazer encontra-se simplesmente em admirar os corpos de outros homens sem desejar o contato sexual. Há aqueles que preferem a companhia de outros homens para o lazer, e muitos trabalham num ambiente completamente masculino. Mulheres também sentem e vivem todas estas situações com outras mulheres. Estas permutações infinitas e a confusão que resultam delas nem sempre são absorvidas pela sociedade em que vivemos, a qual necessidade de ordem para funcionar. E esta ordem, para os extremistas, significa deixar de lado o incerto e procurar distinguir apenas o preto e o branco. Significa "rotular", etiquetar as coisas. E desta forma surgem às minorias, os excluídos, aqueles que não merecem nada mais do que um olhar de reprovação ou mesmo desprezo. 
Até o início dos anos 70, a grande maioria dos psiquiatras estava ainda convencida de que a homossexualidade era uma doença mental. Alguns acreditavam que ela poderia ter causas físicas, como é o caso de inúmeras doenças mentais. Mas a maioria acreditava que sua origem estava, geralmente, num desvio da orientação sexual provocada por uma perturbação do desenvolvimento psico-sexual. Os psicanalistas, mais precisamente, sempre admitiam que a homossexualidade estava ligada à uma carência no processo de identificação durante a infância. Em outras palavras, o adulto homossexual teria sido uma criança que não conseguiu encontrar sua autonomia e definir sua identidade sexual em relação aos pais.

Os homossexuais acusavam a Psiquiatria de ser um instrumento da opressão da qual eram vítimas, declarando serem os psiquiatras seus inimigos mais perigosos na sociedade contemporânea, proclamando ideias preconceituosas e repressivas, uma acusação que teve grande repercussão.

Em 1973, grande pressão é feita pelos homossexuais sobre a Associação Americana de Psiquiatria para que ela suprimisse a homossexualidade do rol de doenças mentais, propondo chamá-la, a partir de então, de “uma forma natural de desenvolvimento sexual”. A entidade, diante de tanta repercussão negativa, acabou reconhecendo o erro de catalogar a homossexualidade como doença e removeu-a de seu Manual de Diagnóstico e Estatística de Desordens Psiquiátricas. A Associação Americana de Psicologia, por sua vez, terminou por declarar que a homossexualidade não era uma patologia em 1975.

Finalmente, em 1° de janeiro de 1993, a Organização Mundial da Saúde (OMS) retirou a homossexualidade de sua lista de doenças mentais, uma grande vitória contra as ideias pré-concebidas, mas não propriamente contra o preconceito, que existe em função da crença que os homossexuais detêm uma opção de escolha e que só é homossexual quem quer. A decisão se baseou, principalmente, no fato de que não foi provada qualquer diferença existente entre a saúde mental de um indivíduo heterossexual e a saúde mental de um homossexual. Porém, ainda prevalece o estigma social que liga a homossexualidade à doença. O que falta, neste sentido, é um pouco mais de informação por parte da pessoa que pensa desta forma.

Várias tentativas foram feitas neste século no sentido de "explicar" a homossexualidade, e até mesmo "curá-la". Mas a pergunta realmente não é por que algumas pessoas são homossexuais, mas por que nossa sociedade se considera heterossexual. Pessoas nascidas em uma sociedade homossexual geralmente obedecem às mesmas leis e preceitos que seguem pessoas nascidas em uma sociedade heterossexual. A maioria das pessoas se sente confortável com as condições que a sociedade impõe. Mas há aqueles que se sentem oprimidos e vivem uma experiência de vida completamente "anti-natural". Assim, o problema não está nestas pessoas, mas nas restrições impiedosas que a sociedade impõe e que deveriam ser consideradas como atentatórias à natureza humana. 

 Existem dois entendimentos sobre a Orientação Sexual humana, ambas distintas:

A primeira e aceita, principalmente, pelos extremistas religiosos, afirma que a orientação é uma decisão tomada pelo indivíduo durante a puberdade e que pode ser mudada a qualquer tempo através de oração e aconselhamento. Segundo eles o comportamento homossexual é passível de se tornar um vício e abandoná-lo, muitas vezes, tornam-se muito difícil.

Esta noção é falha, pois se existem inúmeros homossexuais que não aceitam sua orientação por terem incutido dentro de si o medo de um castigo divino e sofrendo por causa desta condição, seria um absurdo dizer que permanecem neste estado de sofrimento por mera opção. A partir do momento em que o indivíduo se aceita e percebe que a homossexualidade faz parte de sua natureza, este sofrimento íntimo acaba. O que não acaba é a dor da rejeição que ocorre muitas vezes, mas então não se torna mais um problema de auto-aceitação, mas um problema externo, com as pessoas à sua volta.

A segunda noção diz que a orientação é fixada já no início da vida, pelo menos até que a criança atinja a idade escolar. Em muitos casos, acontece antes do nascimento, talvez mesmo na concepção. Para os que seguem esta noção, a orientação sexual está fora do controle da pessoa ou da educação dos pais.

Muitos que acreditam ser a orientação sexual definida por mera escolha pessoal, afirmam que a homossexualidade é uma doença, igual ao alcoolismo. Mas isto parece muito improvável, pois a homossexualidade existe sem uma causa externa e sem motivação dada por outras pessoas. Também alegam que se trata de um comportamento negativo considerado como pecado. No meu entendimento de pecado, acredito que este se configura sempre que cometemos um ato que ofende o próximo e, por conseguinte, a Deus. Se um indivíduo é homossexual como pode estar prejudicando seu próximo? O fato de alguém ser homossexual não pode me prejudicar a não ser que eu tenha um tipo de neurose mal resolvida e veja pecado em todas as direções que volte meu olhar. Ser homossexual é uma questão que diz respeito ao próprio indivíduo e não aos outros. Visto que o principio do Evangelho concerne no AMOR, na pregação deste Amor, que não exclui ninguém, Deus não faz acepção de pessoas, este por sua vez é inerente a pessoa humana, em Mateus 5,43-48, encontramos:

“Tendes ouvido o que foi dito: Amarás o teu próximo e poderás odiar teu inimigo”.·.
Eu, porém, vos digo: amai vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam, orai pelos que vos (maltratam e) perseguem.·.
Deste modo sereis os filhos de vosso Pai do céu, pois ele faz nascer o sol tanto sobre os maus como sobre os bons, e faz chover sobre os justos e sobre os injustos.         
Se amais somente os que vos amam, que recompensa tereis? Não fazem assim os próprios publicanos?  
Se saudais apenas vossos irmãos, que fazeis de extraordinário? Não fazem isto também os pagãos?       

Uma vez que o próprio Deus afirma ser Ele o AMOR: Aquele que não ama não conhece a Deus, porque Deus é amor. (Iº João 4,8).

Nós conhecemos e cremos no amor que Deus tem para conosco. Deus é amor, e quem permanece no amor permanece em Deus e Deus nele. (Iº João 4,16), sendo ele o Amor, Deus, Pai, como bom pai: “Há um só Deus e Pai de todos, que atua acima de todos, por todos e em todos. (Efésios 4,6)”, jamais desejará a infelicidade de seus filhos, pois mesmo sendo homossexual não deixou de ser filho de Deus, membro de uma sociedade, ainda que injusta na garantia dos direitos dos mesmos, mesmo estes sendo cumpridores dos deveres sociais.

Onde se encontra então o pecado em amar outra pessoa mesmo que seja do mesmo sexo?

Se o principio da pregação do evangelho é o amor incondicional, amar um outro homem, ser feliz e fazê-lo feliz, mesmo que isto seja alheio ao padrão social, por livre escolha, ao contrario de contrair um relacionamento com o sexo oposto, acarretado assim a infelicidade para si, para o parceira(o), e quando gera-se uma outra vida para se manter o padrão estrutural familiar-social-fotográfico, fazendo infeliz também este ser, seria realmente vontade ou plano de Deus?
Se a homossexualidade é um erro, um pecado fico com a prática do amor, que não exclui e não determina padrões de felicidade.

Homens de pouca fé! (Mateus 6, 30; 16,8)

Quem é merecedor da salvação?
Quem é detentor desta graça?

A esta sociedade de aplica: “Raça de víboras, maus como sois, como podeis dizer coisas boas? Porque a boca fala do que lhe transborda do coração. (Mateus 12,34)”

“Porque do mesmo modo que julgardes, sereis também vós julgados e, com a medida com que tiverdes medido também vós sereis medidos. (Mateus 7,2; Marcos 4,24; Lucas 6,38)”.

Acredito que se a homossexualidade fosse uma questão de escolha pessoal, os indivíduos dentro desta orientação devem ser igualmente, masoquistas por escolherem um modo de vida que os expõe diante de tanta hostilidade, discriminação, perda e sofrimento. Ninguém “opta” ou “escolhe ser rejeitado, discriminado e tratado com desprezo”.

“... a caridade, porém, supre todas as faltas. (Provérbios 10,12)”.

“Tudo o que fazeis, fazei-o na caridade. (Iº Coríntios 16,14)”.

Como os heterossexuais, os homossexuais "percebem" sua sexualidade como um processo de amadurecimento pessoal, não sendo "levados" a isso ou sequer "optando" pela orientação sexual que aflora de seu íntimo. A única escolha presente na vida dos homossexuais está em viver ou não suas vidas de forma transparente ou aceitar os padrões rígidos exigidos pela sociedade que os obriga a uma vida oculta.

Considerando que a homossexualidade não é uma doença ou desordem mental e psicológica, não pode ser "curada", justamente pela ausência de fator patológico, porém ainda existem pessoas que acreditam que a medicina pode "libertar" homossexuais de seus desejos. O que se evidencia, pelo contrário, são relatos de homossexuais que se diziam "curados", mas que acabavam "recaindo no vício" (termo utilizado pelos extremistas religiosos) homossexual. Não se trata de cura, mas de uma forma de abafar uma realidade inegável e incontestável: homossexualidade é orientação. Não é opção nem doença. Há relatos de grupos médicos que tentam modificar a orientação sexual das pessoas através de terapia, mas ao invés de ajudarem, correm o risco de causar sérios danos psíquicos nestes indivíduos, incutindo-lhes culpas e desajustes. O que este indivíduo necessita é de amparo, aconselhamento positivo, e não a negação de seu ser.

Modificar a orientação sexual de um indivíduo não quer dizer apenas modificar seu comportamento sexual. Para tal, seria necessário alterar os sentimentos e emoções da pessoa, sejam românticos ou sexuais, e reestruturar o seu conceito próprio como pessoa e sua identidade social.

A Homossexualidade na Bíblia
A Bíblia, uma coleção de livros catalogados e considerados como divinamente inspirados pelas três religiões abraâmicas (cristianismo, islamismo e judaísmo), possui três principais passagens nas quais é supostamente abordado, em contextos de idolatria, um ato homossexual masculino.

Com efeito, a Bíblia também chega a mencionar em Romanos 1,26 - quando fala dos rituais de idolatria dos romanos, sobre a relação para physin ("incomum", "não usual" ou "contrária à natureza") entre mulheres, o que poderia ser entendido como uma quarta referência à homossexualidade. Entretanto, o texto não deixa claro se essas relações são fora do comum por quaisquer razões que não fossem o sexo para fins de procriação - sexo anal, sexo em pé etc. - ou se assim o seriam por se tratar de sexo lésbico. Devido à ambiguidade do texto, não há como se afirmar com certeza que a Bíblia faça menção ao sexo entre mulheres, ao contrário do ato homossexual masculino, que é mencionado.

Não obstante, em especial com a expansão das pesquisas exegéticas e hermenêuticas, não existe um consenso pleno sobre como exatamente deveriam ser interpretadas essas passagens bíblicas. Lutero, em outubro de 1520, escreveu "A Liberdade de um Cristão", acrescido à frase significativa "Eu não me submeto a leis ao interpretar a palavra de Deus". Isso posteriormente acabou originando o direito fundamental de liberdade religiosa, bem como a própria ideia de democracia.

Além da diversidade de posicionamentos por parte de estudiosos, existem atualmente muitas denominações religiosas protestantes históricas - como as Igreja Luterana e Anglicana e setores minoritários da Igreja Batista, Metodista, entre outras, que, num processo revisionista, vêm discordando das interpretações mais restritas comuns entre as doutrinas cristãs mais influentes, de modo que elas aceitam membros que são assumidamente gays e lésbicas, e algumas destas igrejas até os ordenam ao sacerdócio, como o famoso caso de Gene Robinson que, mesmo gay assumido, foi eleito bispo da diocese episcopal de New Hampshire na Igreja Episcopal dos Estados Unidos

Referências a atos homossexuais
Existem três passagens da Bíblia que fazem referência a atos homossexuais. As duas primeiras no Velho Testamento, no contexto da purificação preconizada pela Lei Mosaica, a Torá. A terceira passagem se situa no Novo Testamento quando o apóstolo Paulo descreve os rituais orgiásticos idólatras dos gentios romanos:

 Não te deitarás com um homem, como se fosse mulher: isso é toevah (também no grego bdelygma, ambos significam "impureza" ou "ofensa ritual"). (Levítico 18,22)

 Se um homem dormir com outro homem, como se fosse mulher, ambos cometerão "toevah (O termo “abominação” (to’ebah ou toevah) é um termo religioso, usualmente utilizado para condenar a idolatria e não propriamente um mal moral. De acordo com alguns autores, o verso bíblico parece se referir ao templo de prostituição, uma prática comum no Oriente Médio na época de Moisés. Qadesh se referia aos homens que praticavam a prostituição religiosa como forma de idolatria, prática comum entre os povos politeístas. A passagem está cercada por outras contra o incesto, a bestialidade, o adultério e relações sexuais com mulher menstruada. Entretanto, segundo os estudiosos, é o único verso desta passagem que utiliza o termo religioso abominação)”. ( Levítico 20,13)
 ...visto que, conhecendo a Deus, não lhe renderam nem a glória… pelo contrário… tornaram-se estultos… trocaram a glória do Deus incorruptível por imagens que representam o Deus corruptível, pássaros, quadrúpedes, répteis… por este motivo, Deus os entregou a paixões infames: as suas mulheres mudaram o uso physiken (natural, usual comum) em outro uso que é para physin (não natural, fora do comum, inusitado). Do mesmo modo também os homens, deixando o uso physiken da mulher, abrasaram-se em desejos, praticando uns com os outros o que é indecoroso e recebendo em si mesmos a paga que era devida ao seu desregramento" (Romanos 1,18-32)

Aqui Paulo preocupa-se especialmente com os incrédulos, adeptos do paganismo. A perspectiva está enraizada no conceito de Deus como santo e suas consequências lógicas: toda criação deve ser santa (em todo Levitico, por exemplo, 11,45). Santidade significa inteireza, bem-estar e integridade pessoal, ora esses pagãos escolheram o oposto. Substituíram o próprio Deus por partes da criação, menosprezando assim a perfeição de Deus e a inteireza.
Outra evidencia desse desvirtuamento encontra-se em sua conduta sexual, com suas regras em Levitico 11-15, de inteireza, bem-estar e santidade, o corpo humano é símbolo do corpo religioso social ou comunitário. Essas regras buscam proteger os limites do corpo. Note-se o alto grau de preocupação com orifícios o aberturas do corpo, normais (como boca, os órgãos genitais) e incomuns (como a lepra = erupções de pele). Assim, as observações de Paulo sobre relações “contra a natureza” devem ser entendidas no contexto de sua preocupação com a ordem, a inteireza e a integridade física, que deve refletir a ordem e a integridade da sociedade e do cosmo, vistas, claro, de uma perspectiva judaica. Portanto, as palavras “natural” e “contra a natureza” seriam melhor traduzidas por  “aprovadas culturalmente” e “desaprovada culturalmente”.

Em toda a Bíblia, a pessoa é vista em termos de três regiões de atividade pessoal agrupada em torno de coração-olho, boca-ouvidos e mãos-pés. Essas regiões descrevem e simbolizam a pessoa toda. Quando as três regiões são mencionadas e não criticadas, tudo está bem. A pessoa é considerada totalmente boa, integral, inteira. Mas quando alguma região é omitida ou criticada, a pessoa é considerada incompleta, enferma, com falta de integridade. No trecho (Romano 1,18-32), estão mencionadas todas as regiões: cupidez = coração, olhos; homicídios = mãos, pés; difamadores = boca, ouvidos. Mas a imagem toda é imperfeita, indesejável, corrupta, indicando que o ponto de vista e o estilo de vida não judeus são total e inteiramente perversos, fragmentados e incompletos. Não se aplicando em termos a questão homossexual, apenas a conduta e princípios pagãos.

Além destas há uma passagem na Primeira Epístola aos Coríntios que gera controvérsias entre os religiosos e teólogos:

 Não errais: nem os impuros, nem os idólatras, nem os adúlteros, nem malakoi, nem arsenokoitai… herdarão os reino de Deus" (Iº Coríntios 6, 9-10).

Esta passagem em que São Paulo, para alertá-los de seus erros, lembra da lei judaica aos cristãos de Corinto, tem sido alvo de intensas discussões quanto a sua tradução. As palavras malakoi e arsenokoitai ao longo dos séculos têm sido traduzidas de forma bem distintas.

Quanto à palavra malakoi (que literalmente significa "mole", "macio") já houve versões bíblicas que a traduziram como "depravados", "pervertidos", "efeminados", "efebos", "meninos prostitutos" e algumas versões modernas chegaram até mesmo a falar em "homossexuais". Entretanto, até a Reforma no século XVI e no Catolicismo no século XX, pensava-se que tal palavra significasse "masturbadores". Sabe-se, porém, que para além de seu sentido literal de "mole" ou "macio", tal termo, quando usado para adjetivar pessoas, pode também ser entendido como "lasso", "irrefreável", "devasso" ou mesmo "efeminado". E é a partir dessa última tradução que se tem entendido por parte dos religiosos tradicionais que, portanto, existiria no texto uma condenação aos homossexuais. Segundo essa concepção um homem lasso, promíscuo e efeminado só poderia se tratar de um homossexual.

Não obstante, há uma séria contra-argumentação a esse entendimento. Uma grande, e hoje crescente, parte dos estudiosos tem questionado essa interpretação, mostrando que a palavra malakoi, mesmo quando traduzida como "efeminado" jamais pode ser entendida como uma referência a homossexuais. Para tal intento, mostram que tal tradução é ambígua uma vez que o termo "efeminado" filologicamente sempre significou, para além de "pusilânime", também "mulherengo", e é esse o sentido que a palavra original tinha nos tempos de Paulo - o que, de fato, é coerente com outras passagens bíblicas que condenam os promíscuos e devassos, como Apocalipse 21,8 e 22,15. Tais críticos lembram também que a palavra "efeminado" só adquiriu conotação de "homossexual" na Modernidade, de modo que inserir essa tradução nos escritos de Paulo seria um gritante anacronismo e algo profundamente descabido. No intuito de comprovar tal entendimento, acrescentam que até a era moderna, nunca, em nenhum texto, em nenhuma época sequer a palavra malakoi significou "homossexual" ou conceito semelhante, e desafiam a quem possa mostrar o contrário.

Já em relação à palavra arsenokoitai a controvérsia é ainda maior. Uma vez que ela, em um intervalo de três séculos, somente aparece em dois escritos de Paulo e, posteriormente nos Oráculos Proféticos (Sibylline Oracles) e em mais nenhuma outra literatura na história - e em ambos dois casos a palavra se encontra dentro de uma lista, de modo a seu significado não poder ser alcançado a partir de um contexto - fica impossível determinar seu significado literal. Há, porém, um certo consenso que esta palavra se trata de um neologismo criado por Paulo, que teria juntado as palavras arsen, que significa "homem" e koiten, que significa "cama". Vale notar que para alguns religiosos - como os tradutores da NVI e da Bíblia da Linguagem de Hoje - tal dado já seria suficiente para levá-los a crer que tal palavra se referiria, sim, à "homossexual", uma vez que o pecado que um homem pode fazer na cama seria, em seus pontos de vistas, quase certamente, um ato homossexual. Tal entendimento - acusado de simplista e homofóbico pelos liberais - com efeito, não pareceu não dar conta de desvendar a palavra em questão para a maioria dos exegetas e acadêmicos.

Diante da impossibilidade de encontrar o significado literal da palavra arsenokoitai, uma ampla gama de estudos acadêmicos foi feita ao longo do século XX no intuito de compreender de fato o termo e evitar sua tradução de modo precipitado e controverso. É, então, que pelo método histórico-crítico pôde-se, enfim, compreender o que tem sido amplamente aceito como o mais provável sentido do neologismo paulino.

Arsenokoitai remete ao conceito de prostituição cultual muitíssimo comum no Antigo Testamento, quando meninos eram vendidos como kadeshim, ou "prostitutos cultuais", para os templos pagãos, como os de Dionísio, Baal e Diana, ou mesmo homens livres se faziam sacerdotes sexuais para se dedicarem a esses templos de frequente idolatria orgiástica. A exatidão dessa teoria se provaria uma vez que a Septuaginta, que eram as escrituras sagradas que Paulo lia à sua época, usa os exatos mesmos termos que o apóstolo usou em Levítico 18,22: Como homem (arsenos), não te deitarás (koiten), como mulher… (Kai meta arsenos ou koimethese koiten…), e o texto se finaliza afirmando que tal ato seria toevah, uma palavra que, como vimos, no hebraico é sempre usada num contexto de ritual religioso, de impureza no sentido religioso, o que é praticamente um consenso entre os hermenêutas veterotestamentários.

Há fartas outras comprovações bíblicas que suportam essa teoria de que Paulo quando fala em sua Carta aos Coríntios 6,9-10, ele esta a afirmar que são os prostitutos cultuais que não herdarão o reino dos céus, da mesma forma que o texto de Levítico o faz. A começar pela própria introdução do texto da Lei Mosaica que se inicia (Levítico 18,3) mostrando que as proibições do capítulo são proibições de práticas que os egípcios e canaanitas faziam por "estatuto", o que deixa, assim, inquestionável que se tratam de práticas de cunho religioso pagão. Vários outros textos como Deuteronômio 12,30, Iº Reis 14,23, Deuteronômio 23,4, 1º Reis 15,12-13, Deuteronômio 23,17, Iº Reis 22,46 e IIº Reis 23:,7 fazem comprovar que Paulo, em Coríntios, em vez de falar de homossexuais, apenas repete o claro mandamento bíblico de condenação aos prostitutos cultuais.

Diversas ramificações cristãs entendem que os textos condenam somente o sexo idolátrico, lascivo e promíscuo (entre pessoas do mesmo sexo ou não). Essa interpretação é ratificada por importantes círculos acadêmicos, especialmente na Europa e Canadá, e mesmo nos EUA, nos seus setores mais liberais. Na América Latina, em especial no Brasil, somente a Igreja Evangélica de Confissão Luterana e a Igreja Anglicana parecem adotar posicionamentos similares. A Nova Bíblia Anotada Oxford, considerada uma das mais relevantes academicamente do mundo, traz notas que validam a não condenação dessas passagens aos homossexuais, também a Bíblia de Jerusalém, umas das traduções mais respeitadas no mundo teológico, não aceita a tradução desses textos como sendo referentes aos homossexuais. No entanto, alguns religiosos levantam fortes críticas a essa teologia - também chamada de Teologia Inclusiva - acusando-a de excessivamente liberal. Afirmam que, mesmo que em se tratando de prostituição idólatra, as condenações de Paulo também incluiriam os homossexuais de nosso tempo pois estes, ao adotarem o estilo de vida gay, estariam optando por uma prática sexual caída, antinatural e aversa aos valores divinos e, por isso, recairiam da mesma forma em uma forma também de paganismo idólatra.

No início do ano de 2008, o pastor Philip Yancey, considerado um dos maiores e mais influentes autores cristãos atuais, colunista da famosa revista Christianity Today, deu uma polêmica entrevista à revista gay americana Whosoever na qual afirma que os homossexuais que não são aceitos em suas igrejas como eles são, deveriam deixá-las para se socorrerem em outros grupos que os aceitem, pois "estas igrejas precisam de educação". Já o arcebispo sul-africano Desmond Tutu, um dos mais importantes líderes anti-apartheid, quando ganhou o Prêmio Nobel da Paz, em 1984, declarou também que o ódio contra gays é tão condenável quanto o racismo. "Penalizar alguém por sua orientação sexual é o mesmo que penalizar alguém por algo que a pessoa nada pode fazer a respeito, como a cor da pele. Ao fazer isso, a Igreja persegue um grupo que já é perseguido", disse. Leonardo Boff, por sua vez disse que “é fundamental reconhecer a criação do amor de Deus e dizer que onde há amor entre casais, ou entre homossexuais, seja mulher ou homem, onde há amor há ato de Deus, porque Deus é amor”.

 Queda de Sodoma e Gomorra
Muitos religiosos, especialmente os tidos como conservadores, e também o senso-comum associam a queda de Sodoma e Gomorra com a prática de relações homossexuais, o que teria feito com que as cidades fossem destruídas. No entanto, estudiosos mostram que o pecado cometido teria sido o da falta de hospitalidade com os estrangeiros, e a intenção de estupro dos visitantes, já que o termo conhecer, fundamental para o entendimento de tal trecho, significaria ali claramente um abuso sexual, e em nada se vincularia a um relacionamento homoafetivo, mas sim ao abuso e à violência.

Segundo o relato bíblico, os habitantes dessa terra seriam cananeus (Gênesis 10,19). O território antes do cataclismo, era paradisíaco. Ocupava uma área aproximadamente circular no vale inferior do Mar Morto (chamada de Distrito ou Bacia, do hebr. Kik.kár).(Gênesis 13,10)

Após o retorno de Abrão (Abraão) do Egito, menciona que "eram maus os homens de Sodoma, e grandes pecadores contra YHVH (traduzido comumente como SENHOR)” (Gênesis 13,13). Mas isso não chegou a impedir uma tolerância entre os habitantes de Sodoma (cidade-estado) com o patriarca Abrão, e com o seu sobrinho, Ló (Gênesis 13.14).

Dois anjos de Deus, materializados, teriam dito a Abrão que "o clamor de Sodoma e Gomorra se tem multiplicado, e porquanto o seu pecado se tem agravado muito." Abrão intercede 3 vezes pelos sodomitas. A resposta final é: "Se houver em Sodoma 10 pessoas justas, não será destruída".(Gênesis 18, 20-23) Qual era o pecado grave dos Sodomitas?

Esses dois anjos entram na cidade, que fica em uma região desértica, para pedir abrigo e proteção. Ló se apiedou desses viajantes e os hospedou em sua casa, porém, sem conhecer a real identidade angelical destes (Gênesis 19,1-3). Antes de se deitarem, os homens da cidade, descontentes com o fato de Ló, que também era um homem de fora, ter trazido dois outros estranhos para a cidade, cercaram então sua casa, desde rapaz até o velho, todo o povo numa só turba, exigindo que Ló pusessem os visitantes para fora de sua casa para que fossem estuprados, (Gênesis 19,4-5) o que era uma prática frequente na Antiguidade, quando prisioneiros, guerreiros, ou exércitos vencidos eram comumente violentados sexualmente como forma de desonra, humilhação ou castigo. Ló roga para que os homens não fizessem esse mal ao seus visitantes, mas a turba, ainda mais irada com ele, o ataca dizendo que faria, então, a Ló ainda mais maldades do que com os visitantes. O texto então termina afirmando que os anjos protegeram, ao fim, a Ló e a sua família e, em seguida, toda a cidade teria sido destruída por Deus com fogo e enxofre.

Há atualmente teólogos e acadêmicos que afirmam que esta passagem do livro de Gênesis não se refere à homossexualidade, mas ao abuso, ao desamor e a falta de piedade. A Bíblia Anotada New Oxford afirma: "…a questão principal aqui é a hospitalidade aos visitantes divinos. Nesta passagem a sacralidade da hospitalidade é ameaçada pelos homens da cidade que queriam violentar os hóspedes. O ponto principal desta passagem parece ser a ameaça que os habitantes representam ao valor da hospitalidade. Esta é tão valorizada neste contexto, a ponto de neutralizar a negatividade da atitude de Ló ao oferecer suas filhas em lugar de seus hóspedes o que, hoje, seria uma atitude impensável e repugnante a qualquer leitor". Segundo hermenêutas, a história de Sodoma e Gomorra faz, assim, uma alusão profética à vinda de Cristo que, assim como os anjos, é o enviado de Deus a terra e seria acolhido pelos homens justos, mas também seria recebido cruelmente pelos homens sem piedade e maus que aviltariam e atacaram seu corpo, mas, ao fim, sua glória e justiça prevaleceriam.

Porém, o entendimento laico comum da passagem é, não obstante, que Sodoma e Gomorra teriam de fato sido destruídas porque os habitantes dessas cidades seriam todos homossexuais. Essa concepção popular é fruto da filosofia Tomista que, na Idade Média, pela primeira vez se referiu ao sexo entre homens como "sodomia". Tal autor inclui a homossexualidade entre os pecados contra naturam, junto com a masturbação e a relação sexual com animais. Para Tomás esses pecados sexuais são mais graves do que os pecados secundum naturam, embora estes se oponham gravemente à ordem da caridade, por exemplo: adultério, violação, sedução. Isto porque, para Aquino, a ordem natural foi fixada por Deus e sua violação constitui uma ofensa ao Criador, o que seria para ele mais grave do que uma ofensa feita ao próximo (Suma Teológica, II-II, questão 154, artigo 11, corpo).  Tomás de Aquino chega a colocar a prática da homossexualidade no mesmo plano de pecados torpíssimos, como o de canibalismo.

A partir de então, a palavra "sodomia" popularmente foi-se desvinculando de seu sentido filológico original e passou a ser, em quase todo mundo, conotativa de homogenitalidade, ou então sexo anal, seja este hétero ou homossexual. Muitos religiosos da Teologia Inclusiva salientam, porém, que este entendimento seria homofóbico e conflitante com a própria Bíblia que em todas as vezes que se refere novamente a Sodoma e Gomorra e aos sues pecados (como em Ezequiel 16,49-50) não mencionaria nada referente à homossexualidade - e mesmo a única menção à questão da sexualidade nessas cidades (Judas 6-7), somente se condena a intenção de intercurso sexual entre seres humanos e anjos, conforme também se fez em Gênesis 6, 1-2.4.

Portanto, não se pode afirmar que exista qualquer indicio real e direto, de que o comportamento homossexual é condenado por Deus nas escrituras bíblicas.

Referências bíblicas de apoio à homossexualidade
Três secções da Bíblia são analisadas como podendo ter contexto homossexual, no entanto são vistos pela maior parte dos cristão como apenas textos referentes a grandes amizades. O que está em conformidade com as tradicionais exegeses bíblicas que têm como doutrina principal o amor fraterno, em que não há a prática do sexo.

 Rute e Noemi
Noemi era viúva com dois filhos. Rute é a viúva de um dos filhos de Noemi.
Disse, porém, Rute: Não me instes para que te abandone, e deixe de seguir-te; porque aonde quer que tu fores irei eu, e onde quer que pousares, ali pousarei eu; o teu povo é o meu povo, o teu Deus é o meu Deus; Onde quer que morreres morrerei eu, e ali serei sepultada. “Faça-me assim o SENHOR, e outro tanto, se outra coisa que não seja a morte me separar de ti.” (Rute 1, 16-17. 2, 10-11).

O pensamento majoritário no cristianismo é que, vendo que sendo Noemi velha, e, não tendo marido, iria sofrer muito naquela região inóspita por volta do ano 1000 a.C., pois, ela não tinha mas quem a protegesse, este que era o papel do homem em tal época, e por isso a passagem acima indicaria apenas uma amizade muito forte entre Rute e Noemi, segundo a interpretação de trechos anteriores:

 Morreu Elimeleque, marido de Noemi; e ficou ela com seus dois filhos,os quais casaram com mulheres moabitas; era o nome de uma Orfa, e o nome da outra, Rute; e ficaram ali quase dez anos. Morreram também ambos, Malom e Quiliom, ficando, assim, a mulher desamparada de seus dois filhos e de seu marido. Então, se dispôs ela com as suas noras e voltou da terra de Moabe, porquanto, nesta, ouviu que o Senhor se lembrara do seu povo, dando-lhe pão. Saiu, pois, ela com suas duas noras do lugar onde estivera; e, indo elas caminhando, de volta para a terra de Judá, disse-lhes Noemi: Ide, voltai cada uma à casa de sua mãe; e o Senhor use convosco de benevolência, como vós usastes com os que morreram e comigo. O Senhor vos dê que sejais felizes, cada uma em casa de seu marido. E beijou-as. Elas, porém, choraram em alta voz e lhe disseram: Não! Iremos contigo ao teu povo. Porém Noemi disse: Voltai, minhas filhas! Por que iríeis comigo? Tenho eu ainda no ventre filhos, para que vos sejam por maridos? Tornai, filhas minhas! Ide-vos embora, porque sou velha demais para ter marido. Ainda quando eu dissesse: tenho esperança ou ainda que esta noite tivesse marido e houvesse filhos, esperá-los-íeis até que viessem a ser grandes? Abster-vos-íeis de tomardes marido? Não, filhas minhas! Porque, por vossa causa, a mim me amarga o ter o Senhor descarregado contra mim a sua mão. Então, de novo, choraram em voz alta; Orfa, com um beijo, se despediu de sua sogra, porém Rute se apegou a ela. (Rute 1,3 - 14)

De acordo com a posição majoritária cristã - que busca negar a tese homoafetiva - essa parte comprovaria que elas não seriam homossexuais, pois, a própria Noemi diz que, "seria amargoso" se absterem de maridos. Em argumentação contrária, os liberais afirmam que amargura em questão trata-se não da dureza de não possuir um homem para amar, mas principalmente do preconceito e exclusão que ambas teriam sem o álibe e proteção de um marido, o que as exporia à condição de mulheres solitárias. Os conservadores lembram, porém, que em as várias citações do nome do Deus dos israelenses como Senhor, mostravam Noemi uma amante da lei, assim, amaria os mandamentos, inclusive os contrários ao sexo homossexual.

David e Jónatas
Jónatas era o filho do Rei Saúl e primeiro na linha de sucessão. Mas Samuel indicou David para ser o próximo rei o que trouxe grande preocupação a Saúl:

"a alma de Jónatas se ligou com a alma de David; e Jónatas o amou, como à sua própria alma" (Iº Samuel 18,1)
"E Saul naquele dia o tomou, e não lhe permitiu que voltasse para casa de seu pai. E Jônatas e Davi fizeram aliança; porque Jônatas o amava como à sua própria alma. E Jônatas se despojou da capa que trazia sobre si, e a deu a Davi, como também as suas vestes, até a sua espada, e o seu arco, e o seu cinto." (Iº Samuel 18,2)

"E, indo-se o moço, levantou-se Davi do lado do sul, e lançou-se sobre o seu rosto em terra, e inclinou-se três vezes; e beijaram-se um ao outro, e choraram juntos, mas Davi chorou muito mais." (Iº Samuel 20,41)

"Angustiado estou por ti, meu irmão Jônatas; quão amabilíssimo me eras! Mais maravilhoso me era o teu amor do que o amor das mulheres." (Iº Samuel 1,26)

A posição majoritária no cristianismo aponta todos esses trechos como se referindo a apenas "amizades" muito fortes, a despeito do texto falar literalmente em "amor" de um pelo outro, sendo este sentimento relatado como ainda maior do que o tido pelas mulheres, numa clara referência ao amor erótico. Busca-se, ao falar de amizade, negar o embaraçoso e evidente conteúdo homoafetivo do relato bíblico onde os dois personagens trocam juras de amor e fidelidade. Dessa forma tentam explicar os hermeneutas conservadores:

1.                               Jonatas tinha amado Davi, pois, sabia da sua vocação para com Deus. Em outra passagem mostra-se a sua fidelidade com a religião, e o amor declarado um pelo outro, em meio a beijos e lágrimas, seria pela expectativa de que David viria a ser o grande rei que fora profetizado, ou seja, amor à vitória e ao ápice de Israel.
2.                               Beijar-se sempre teria sido um costume do oriente-médio, que, não expressaria sexualidade de acordo com a aquela cultura.
3.                               Davi, no caso, considerado segundo o coração de Deus, estava se referindo que, o amor fraternal valeria mais que a paixão. No caso, o "amor divino" é expresso através da amizade, e Jonatas, que era fiel, tinha preferido Davi a seu Pai, pois, Davi tinha sido escolhido por Deus, logo era mais justo em caráter. Desta forma o amor divino e a amizade superariam a paixão.
Daniel e Aspenaz
Aspenaz era o chefe dos eunucos de Nabucodonosor, Rei da Babilônia. Daniel era um dos eunucos (segundo algumas interpretações) com ascendência da casa de Israel. (Fontes não precisas)

 “Ora, Deus fez com que Daniel achasse graça e misericórdia diante do chefe dos eunucos” (Daniel 1,9).

A interpretação desta frase não é consensual: a versão inglesa de King James 1611, e na versão Webster 1833 (http://bibliaonline.com.br/web/dn/1) em vez de "misericórdia" pode-se ler "amor carinhoso" (tender Love) reforçando assim algo mais que uma relação hierárquica. Na versão Basic English são usadas às palavras como "sentimentos de carinho e compaixão" (kind feelings and pity). As palavras originais em hebraico podem ser traduzidas para "misericórdia" ou "clemência" reforçando este ponto de vista, assim como o fato de em mais nenhuma passagem Daniel demonstrar tal afeto por outra pessoa. No entanto Daniel e Aspenaz sendo ambos os eunucos nunca poderiam consumar este amor físico.

Por outro lado este texto aparece na sequência do pedido de Daniel a Aspenaz de não comer a comida que lhe estava destinada, uma vez que esta era oferecida aos ídolos da Babilônia. Perante este pedido, e mediante a ordem do rei, Daniel conseguiu convencer Aspenaz uma vez que ganhou a confiança deste pelo seu porte. A análise do texto em hebraico, assim como a tradução dos setentas para o grego (septuaginta), apontam neste sentido.

Palavras Finais
A desconstrução como método da Educação Sexual que apresentei neste texto não pretendeu destruir os saberes constituídos, mas fragilizá-los, perturbá-los como “verdades únicas” e inquestionáveis. Os argumentos aqui apresentados se propuseram, não apenas a duvidar da veracidade das narrativas bíblicas, mas a colocá-las no mesmo status de qualquer outro conhecimento humano, construído em relações de poder, alterado nos tempos históricos conforme a conveniência e, portanto, passíveis de contestação.
Eu não questiono a importância espiritual de muitas passagens bíblicas e do papel social que as igrejas desempenham na sociedade contemporânea... Sem dúvida, organizações religiosas, católicas e evangélicas, ao longo da história, têm contribuído muito para a melhoria de vida das mulheres, dos negros e negras, das populações indígenas, dos/a sem terra, das crianças, dos imigrantes, dos deficientes físicos, dos pobres. (FURLANI)

Libertos para agir no mundo, os homens do século XXI, podem enfrentar a vontade de poder e experimentar a liberdade de ser o que escolheu para viver. Espero que o meu objetivo de apresentar compreensões a cerca de verdades milenares, tenha atingido o objetivo de possibilitar o inicio dum processo de desconstrução identitária de verdades fragilizadas PRÉ, abrindo-se para novas possibilidades predisponibilizadas à mente CONCEITUOSAS.
E como muitos me encontro neste caminho, e nele quero um pouco mais permanecer, num profundo contexto de silêncio, ausência e saudade, pois neste tempo,  as belas obras são gestadas. Como diz o poeta (agradeço ao mestre de Vidas Djalma Thürller, por me fazer desvendar esta maravilha do tempo do meu nascimento, 1982): ““...Para eu derrubar os meus obstáculos?... Amo os abismos, as torrentes, os desertos... Eu tenho a minha Loucura! Ah, que ninguém me dê piedosas intenções. A minha vida é um vendaval que se soltou. É uma onda que se alevantou. É um átomo a mais que se animou... Sei que não vou por aí!:
"Vem por aqui" — dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidades!
Não acompanhar ninguém.
— Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Levam-me meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?
Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.
Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...
Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tetos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém!
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.
Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí! (RÉGIO, José. Cântico negro) . Disponível em: http://www.releituras.com/jregio_cantico.asp. Acessado em 08 de abril de 2012).
Referências:

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 Artigos

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[1]              Teólogo, Psicopedagogo, Aluno Especial Mestrado EISU – IHAC/UFBA.


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