sexta-feira, 20 de março de 2015

O mundo dos pensadores filosóficos -- Jean Jacques Rousseau

CECBA – Centro Educacional Claudionor Batista

Apostila de Filosofia - O mundo dos pensadores filosóficos

8a séries - Turmas V1 e V2

JEAN JACQUES ROUSSEAU

A filosofia de Jean-Jacques Rousseau tem como essência a crença de que o Homem é bom

naturalmente, embora esteja sempre sob o jugo da vida em sociedade, a qual o predispõe à

depravação. Para ele o homem e o cidadão são condições paradoxais na natureza humana, pois

é o reflexo das incoerências que se instauram na relação do ser humano com o grupo social, que

inevitavelmente o corrompe.

Rousseau, um dos principais filósofos do Iluminismo. Pintura de Maurice Quentin de La Tour.

Rousseau, um dos principais filósofos do Iluminismo. Pintura de Maurice Quentin de La Tour.

É assim que o Homem, para Rousseau, se transforma em uma criatura má, a qual só pensa em

prejudicar as outras pessoas. Por esta razão o filósofo idealiza o homem em estado selvagem,

pois primitivamente ele é generoso. Um dos equívocos cometidos pela sociedade é a prática da

desigualdade, seja a individual, seja a provocada pelo próprio contexto social. Nesta categoria

ele engloba desde a presença negativa dos ciúmes no relacionamento afetivo, até a instauração

da propriedade privada como base da vida econômica.

Mas Rousseau acredita que há um caminho que pode reconduzir o indivíduo a sua antiga

bondade, o qual é teorizado politicamente em sua obra Contrato Social, e pedagogicamente

em Emílio, outra publicação essencial deste filósofo. Ele crê que a carência de igualdade

na personalidade humana é algo que integra sua natureza; já a desigualdade social deve ser

eliminada, pois priva o Homem do exercício da liberdade, substituindo esta prática pela devoção

aos aspectos exteriores e às normas de etiqueta.

Em sua obra Discurso sobre a origem e os fundamentos da desigualdade entre os homens,

Rousseau discorre sobre a questão da maldade humana. Para melhor analisar esta característica,

ele estabelece três etapas evolutivas na jornada do Homem. O primeiro estágio refere-se ao

homem natural, subjugado pelos instintos e pelas sensações, sujeito ao domínio da Natureza; o

segundo diz respeito ao homem selvagem, já impregnado por confrontos morais e imperfeições;

segue-se, então, a condição do homem civilizado, marcada por intensos interesses privados, que

sufocam sua moralidade.

É neste processo que o indivíduo se converte em um ser egoísta e individualista, convertendo

sua bondade natural, gradualmente, em maldade. O Homem abre mão de sua liberdade e

assim se desqualifica enquanto ser humano, pois se vê despojado do principal veículo para a

realização espiritual. A solução apontada por Rousseau para esta situação é enveredar pelos

caminhos do autoconhecimento, através do campo emotivo da Humanidade.

Na esfera da educação, exposta no Emílio, ele teoriza filosoficamente sobre o Homem. Sua

principal inquietação, neste ponto, é saber se educa o indivíduo ou o cidadão, já que, para ele,

estas duas facetas não podem conviver no mesmo ser, por serem completamente opostas.

Rousseau defende a formação do homem natural no seu lar, junto aos familiares, por constituir

um ser integral voltado para si mesmo, que vive de forma absoluta. Já o cidadão deve ser

educado no circuito público proporcionado pelo Estado, pois é tão somente uma parte do todo, e

por esta razão engendra uma vida relativa. O aprendizado social, segundo o filósofo, não produz

nem o homem, nem o cidadão, mas sim um híbrido de ambos. Aliar os dois implica investir

no saber do ser humano em seu estágio natural – por exemplo, a criança –, e o cidadão só terá

existência a partir desta condição, a qual tem como fonte a Natureza e como fio condutor a

trajetória individual.

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