CECBA – Centro Educacional Claudionor Batista
Apostila de Filosofia - O mundo dos pensadores filosóficos
8a séries - Turmas V1 e V2
SÓCRATES
Sócrates foi o pioneiro do que atualmente se define como Filosofia Ocidental. Nascido em
Atenas, por volta de 470 ou 469 a.C., seguiu os passos do pai, o escultor Sofrônico, ao estudar
seu ofício, mas logo depois se devotou completamente ao caminho filosófico, sem dele esperar
nenhum retorno financeiro, apesar da precariedade de sua posição social. Seu trabalho seria
marcado profundamente pelos textos de Anaxágoras, outro célebre filósofo grego.
No início, Sócrates caminhou pelas mesmas veredas dos sofistas, mas ao retomar seus
princípios ele os universalizou, empreendendo a jornada típica do pensamento grego. Suas
pesquisas iniciais giraram em torno do núcleo da alma humana. Até hoje este filósofo é
sinônimo de integridade moral e sabedoria, pois sempre agiu com ética, responsabilidade, e
tornou-se padrão de perfeita cidadania.
Ele desprezava a política e não se adaptava à vida pública, embora tenha exercido algumas
funções no quadro político, inclusive como soldado. Seu método filosófico ideal era o diálogo,
através do qual ele se comunicava da melhor forma possível com seus contemporâneos, no
esforço de transmitir seus conhecimentos para os cidadãos gregos. Além de legar ao mundo
sua sabedoria sem par, ele também formou dois discípulos fundamentais para a perpetuação e
desenvolvimento de seus ensinamentos – Platão e Xenofontes -, embora não tenha deixado por
escrito o fruto de suas pregações.
Casado com Xantipa, nunca priorizou sua família, sempre entregue ao exercício dos dons de
que era dotado. Sua essência crítica e justa o levava a crer que tinha uma importante missão, a
de multiplicar seres igualmente dotados de sabedoria, probidade, moderação. Este caminho o
levaria a se chocar com a cúpula dos governantes, na qual conquistaria inimigos e insatisfação.
A contundência de sua fala, o rigor de sua personalidade, seu viés crítico e mordaz, suas idéias
muitas vezes opostas à estrutura social vigente e o método educativo de que se valia, geraram-
lhe antagonistas no seio da estrutura política que então dominava a Grécia.
O comportamento de Sócrates desencadeou em sua prisão, acusado por Mileto, Anito e Licon,
de perverter a juventude e renegar os deuses cultuados pelos gregos, trocando-os por outros.
Recebendo a oportunidade de advogar a seu favor, diante do tribunal e dos homens, ele se
recusou, pois não pretendia renunciar ao que acreditava e ao que pregava a seus conterrâneos.
Ele preferia ser condenado pela justiça terrena e preservar, diante da imortalidade, a verdade de
sua alma. Assim, optou pela morte, decretada por seus juízes, através do voto da maioria.
Mesmo diante da chance de fugir, arquitetada por seu seguidor Criton, com a complacência
da justiça grega, ele recuou, pois não desejava ferir as leis de seu país. Ao esperar a execução
de sua sentença, prorrogada por um mês - graças a uma lei que não permitia o cumprimento
desta pena enquanto um navio empreendesse uma jornada até Delos, oferecida em cumprimento
de um voto -, preparou-se psicologicamente para esta viagem além-túmulo, em conversas
espiritualizadas com seus amigos.
Após ter bebido calmamente seu cálice de cicuta, veneno mortal, ele teria dito “devemos
um galo a Esculápio”, pois acreditava que o suposto deus da Medicina o tinha libertado da
enfermidade conhecida como ‘vida’, liberando-o para a morte. Desta forma ele partiu em 399
a.C., aos 71 anos.
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