sexta-feira, 20 de março de 2015

O mundo dos pensadores filosóficos - Agostinho

CECBA – Centro Educacional Claudionor Batista

Apostila de Filosofia - O mundo dos pensadores filosóficos

8a séries - Turmas V1 e V2

AGOSTINHO

Santo Agostinho, conhecido também como Aurélio Agostinho, Agostinho de Hipona ou São

Agostinho, foi importante bispo, teólogo e filósofo, reconhecido pelos católicos como Doutor da

Igreja. Ele nasceu na cidade de Tagaste, na Numídia, no dia 13 de novembro de 354, e cresceu

no norte da África, região colonizada pelos romanos. Ele era membro da burguesia, filho de

Patrício, pagão convertido no momento da morte, e da devotada cristã Mônica, de quem herdou

preciosos ensinamentos religiosos.

A caminho de Cartago, para completar sua educação, ingressou em um caminho moralmente

duvidoso, adotando o Maniqueísmo – doutrina que dava existência concreta tanto ao bem

quanto ao mal -, para compreender e legitimar sua opção pela intensa sensualidade. Concluída

sua formação, fundou uma escola nesta mesma cidade, seguindo depois para Roma e Milão. No

ano de 386 ele abandonou de vez a pedagogia, ao completar trinta e dois anos, por motivos de

saúde e também por seus dilemas espirituais.

Neste momento ele abandona a filosofia maniqueísta e descobre o neoplatonismo, através do

qual começa a compreender a verdadeira espiritualidade. Aos poucos ele deixa de lado a luxúria

e, em setembro deste mesmo ano, inicia sua conversão ao Cristianismo. Ele se isola então

em Milão, durante alguns meses, junto com a mãe, o filho e alguns seguidores, abdicando do

mundo, da profissão e do casamento. Um ano depois, por influência e pelas mãos de Ambrósio

de Milão, ele foi batizado durante a Páscoa, e então voltou para sua terra natal, instituindo aí um

monastério, depois da morte da mãe e de dispor de todos os seus bens.

Ele foi ordenado padre em 391, sagrado como bispo em 395, liderando a Igreja de Hipona até

sua morte. Seus sermões tornaram-se célebres – atualmente preserva-se pelo menos 350 destes

discursos, considerados todos autênticos. Durante sua permanência à frente desta instituição

cristã, Santo Agostinho incentivou a repressão dos Donatistas – grupo cristão considerado

herético pelo Catolicismo – por meio do uso da força.

Agostinho morreu em 430, no dia 28 de agosto, aos setenta e cinco anos, vítima da invasão

de Hipona pelos vândalos. O santo tem lugar de destaque na história da Igreja Católica,

reconhecido por sua profunda percepção e pelo seu temperamento compreensivo, bem como por

sua junção da natureza teórica da patrística - ciência que se ocupa da doutrina dos Santos Padres

e da história dessa doutrina – grega com o teor prático da patrística latina. Sua ênfase maior,

porém, foi sempre nas questões da práxis moral: o mal, a liberdade, a graça, a predestinação.

Parte de sua obra se dedica às especulações filosóficas, com destaque para os diálogos, tais

como Contra os acadêmicos, Da vida beata, Os solilóquios, Sobre a imortalidade da alma,

Sobre a quantidade da alma, Sobre o mestre, Sobre a música; a outra é devotada à teologia, que

complementa sua filosofia, especialmente Da Verdadeira Religião, As Confissões – sua obra

mais conhecida -, A Cidade de Deus, Da Trindade, Da Mentira.

Santo Agostinho teceu algumas considerações sobre os judeus em sua obra, considerando

aqueles que foram dispersos como inimigos da Igreja, sendo assim submetidos a essa provação

por seu comportamento anterior com relação a Jesus, reforçando as profecias bíblicas sobre a

trajetória judaica na Terra. Alguns de seus argumentos foram, infelizmente, usados tanto para

estimular o antisemitismo, como contra os próprios cristãos.

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