CECBA – Centro Educacional Claudionor Batista
Apostila de Filosofia - O mundo dos pensadores filosóficos
8a séries - Turmas V1 e V2
AGOSTINHO
Santo Agostinho, conhecido também como Aurélio Agostinho, Agostinho de Hipona ou São
Agostinho, foi importante bispo, teólogo e filósofo, reconhecido pelos católicos como Doutor da
Igreja. Ele nasceu na cidade de Tagaste, na Numídia, no dia 13 de novembro de 354, e cresceu
no norte da África, região colonizada pelos romanos. Ele era membro da burguesia, filho de
Patrício, pagão convertido no momento da morte, e da devotada cristã Mônica, de quem herdou
preciosos ensinamentos religiosos.
A caminho de Cartago, para completar sua educação, ingressou em um caminho moralmente
duvidoso, adotando o Maniqueísmo – doutrina que dava existência concreta tanto ao bem
quanto ao mal -, para compreender e legitimar sua opção pela intensa sensualidade. Concluída
sua formação, fundou uma escola nesta mesma cidade, seguindo depois para Roma e Milão. No
ano de 386 ele abandonou de vez a pedagogia, ao completar trinta e dois anos, por motivos de
saúde e também por seus dilemas espirituais.
Neste momento ele abandona a filosofia maniqueísta e descobre o neoplatonismo, através do
qual começa a compreender a verdadeira espiritualidade. Aos poucos ele deixa de lado a luxúria
e, em setembro deste mesmo ano, inicia sua conversão ao Cristianismo. Ele se isola então
em Milão, durante alguns meses, junto com a mãe, o filho e alguns seguidores, abdicando do
mundo, da profissão e do casamento. Um ano depois, por influência e pelas mãos de Ambrósio
de Milão, ele foi batizado durante a Páscoa, e então voltou para sua terra natal, instituindo aí um
monastério, depois da morte da mãe e de dispor de todos os seus bens.
Ele foi ordenado padre em 391, sagrado como bispo em 395, liderando a Igreja de Hipona até
sua morte. Seus sermões tornaram-se célebres – atualmente preserva-se pelo menos 350 destes
discursos, considerados todos autênticos. Durante sua permanência à frente desta instituição
cristã, Santo Agostinho incentivou a repressão dos Donatistas – grupo cristão considerado
herético pelo Catolicismo – por meio do uso da força.
Agostinho morreu em 430, no dia 28 de agosto, aos setenta e cinco anos, vítima da invasão
de Hipona pelos vândalos. O santo tem lugar de destaque na história da Igreja Católica,
reconhecido por sua profunda percepção e pelo seu temperamento compreensivo, bem como por
sua junção da natureza teórica da patrística - ciência que se ocupa da doutrina dos Santos Padres
e da história dessa doutrina – grega com o teor prático da patrística latina. Sua ênfase maior,
porém, foi sempre nas questões da práxis moral: o mal, a liberdade, a graça, a predestinação.
Parte de sua obra se dedica às especulações filosóficas, com destaque para os diálogos, tais
como Contra os acadêmicos, Da vida beata, Os solilóquios, Sobre a imortalidade da alma,
Sobre a quantidade da alma, Sobre o mestre, Sobre a música; a outra é devotada à teologia, que
complementa sua filosofia, especialmente Da Verdadeira Religião, As Confissões – sua obra
mais conhecida -, A Cidade de Deus, Da Trindade, Da Mentira.
Santo Agostinho teceu algumas considerações sobre os judeus em sua obra, considerando
aqueles que foram dispersos como inimigos da Igreja, sendo assim submetidos a essa provação
por seu comportamento anterior com relação a Jesus, reforçando as profecias bíblicas sobre a
trajetória judaica na Terra. Alguns de seus argumentos foram, infelizmente, usados tanto para
estimular o antisemitismo, como contra os próprios cristãos.
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