sexta-feira, 20 de março de 2015

O mundo dos pensadores filosóficos - Charles Montesquieu

CECBA – Centro Educacional Claudionor Batista

Apostila de Filosofia - O mundo dos pensadores filosóficos

8a séries - Turmas V1 e V2

CHARLES MONTESQUIEU

Conhecido como Charles Montesquieu, ou barão de Montesquieu, o filósofo, cientista político

e escritor francês Charles-Louis Secondat nasceu em 18 de Janeiro de 1689 em La Brède, na

França, e foi um dos grandes precursores do pensamento iluminista.

Nobre filho de uma família que tinha negócios com vinho, ele foi criado no luxuoso Castelo

de La Brède e teve o ensinamento básico em casa. Ingressou no Colégio Juilly aos 11 anos e

teve os contatos iniciais com a filosofia iluminista, que tinha uma maneira peculiar de analisar

a ciência, religião, política e a sociedade. Com 16 anos, entrou para Universidade de Bordeaux

e cursou Direito. Depois de formado, mudou-se para Paris e continuou os estudos, mas teve

que voltar após a morte de seu pai, cinco anos depois, para tomar conta da herança a que tinha

Após casar-se com a rica protestante Jeanne Lartigue e se tornar pai de dois filhos, em

1716 Secondat herdou o título de Barão de Montesquieu e ficou responsável pela Câmara

de Bordeaux, para resolver questões jurídicas da região. Enquanto exercia a presidência da

Câmara, resolveu estudar a fundo as áreas do direito romano, biologia e geologia, usando as

ciências naturais como metáforas para explicar as ciências humanas em seus artigos e teses

Em 1721, publicou sua primeira obra de destaque, as "Cartas Persas", onde criticava os

costumes sociais, políticos e religiosos da França do rei Luís XIV sob o prisma de dois

viajantes que trocavam correspondências com persianos de forma satírica, refletindo o

pensamento iluminista que tomou conta da produção intelectual europeia naquele momento.

Com forte crítica à Igreja Católica, a obra analisava a impossibilidade do homem em chegar ao

conhecimento supremo.

A obra teve grande repercussão nos salões literários parisienses e Montesquieu decidiu largar a

vida jurídica para seguir carreira como escritor. Em seus estudos, viajou pela Europa passando

por Holanda, Alemanha e Itália, tomando conhecimento das obras de outros pensadores

influentes, como Pietro Giannone e Vico. Quando chegou na Inglaterra, fascinou-se com o

sistema político local e dedicou dois anos para estudá-lo in loco.

Ao voltar para sua terra natal, redigiu sua obra-prima literária "O Espírito das Leis". Nesta obra,

Montesquieu fez um apanhado das teorias políticas analisadas em suas viagens pela Europa

e definiu três tipos de governos existentes: o monárquico, onde a população servia a um rei

através de leis positivas; o republicano, regido na mão de várias pessoas guiadas pela virtude; e

o despótico, onde o autoritarismo de um líder podia comprometer os direitos humanos através

da política do medo.

Montesquieu formulou os princípios básicos para que governos tirânicos fossem evitados. Para

isso, defendeu a separação da máquina política em três poderes:

Executivo: ficaria responsável pela administração pública de uma nação, geralmente exercido

por um rei (Monarquia) ou chefe de Estado (República);

Legislativo: ficaria responsável pelos projetos de leis e representaria a Câmara dos

Judiciário: ficaria responsável pelo órgão jurídico e pelo cumprimento das leis dos cidadãos e

dos outros dois poderes, exercidos pelos juízes e magistrados.

Sua teoria teve grande impacto no iluminismo europeu e serviu de molde para a organização do

sistema político das nações modernas. Apesar da grande visibilidade intelectual, Montesquieu

sofreu duras críticas de alguns setores e sua obra foi proibida de ser distribuída em território

francês após ser colocada no índice do Index Librorum Prohibitorum, da Igreja Católica.

Mesmo assim, ainda conseguiu publicá-la oficialmente em 1748 em Gênebra, Suíça, dividido

Depois de muita produção literária e política, aos 66 anos, no dia 10 de fevereiro de 1755,

Montesquieu contraíra uma febre e morrera em Paris, deixando um artigo incompleto para a

Enciclopédia de Diderot e D'Alembert.

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