CECBA – Centro Educacional Claudionor Batista
Apostila de Filosofia - O mundo dos pensadores filosóficos
8a séries - Turmas V1 e V2
CHARLES MONTESQUIEU
Conhecido como Charles Montesquieu, ou barão de Montesquieu, o filósofo, cientista político
e escritor francês Charles-Louis Secondat nasceu em 18 de Janeiro de 1689 em La Brède, na
França, e foi um dos grandes precursores do pensamento iluminista.
Nobre filho de uma família que tinha negócios com vinho, ele foi criado no luxuoso Castelo
de La Brède e teve o ensinamento básico em casa. Ingressou no Colégio Juilly aos 11 anos e
teve os contatos iniciais com a filosofia iluminista, que tinha uma maneira peculiar de analisar
a ciência, religião, política e a sociedade. Com 16 anos, entrou para Universidade de Bordeaux
e cursou Direito. Depois de formado, mudou-se para Paris e continuou os estudos, mas teve
que voltar após a morte de seu pai, cinco anos depois, para tomar conta da herança a que tinha
Após casar-se com a rica protestante Jeanne Lartigue e se tornar pai de dois filhos, em
1716 Secondat herdou o título de Barão de Montesquieu e ficou responsável pela Câmara
de Bordeaux, para resolver questões jurídicas da região. Enquanto exercia a presidência da
Câmara, resolveu estudar a fundo as áreas do direito romano, biologia e geologia, usando as
ciências naturais como metáforas para explicar as ciências humanas em seus artigos e teses
Em 1721, publicou sua primeira obra de destaque, as "Cartas Persas", onde criticava os
costumes sociais, políticos e religiosos da França do rei Luís XIV sob o prisma de dois
viajantes que trocavam correspondências com persianos de forma satírica, refletindo o
pensamento iluminista que tomou conta da produção intelectual europeia naquele momento.
Com forte crítica à Igreja Católica, a obra analisava a impossibilidade do homem em chegar ao
conhecimento supremo.
A obra teve grande repercussão nos salões literários parisienses e Montesquieu decidiu largar a
vida jurídica para seguir carreira como escritor. Em seus estudos, viajou pela Europa passando
por Holanda, Alemanha e Itália, tomando conhecimento das obras de outros pensadores
influentes, como Pietro Giannone e Vico. Quando chegou na Inglaterra, fascinou-se com o
sistema político local e dedicou dois anos para estudá-lo in loco.
Ao voltar para sua terra natal, redigiu sua obra-prima literária "O Espírito das Leis". Nesta obra,
Montesquieu fez um apanhado das teorias políticas analisadas em suas viagens pela Europa
e definiu três tipos de governos existentes: o monárquico, onde a população servia a um rei
através de leis positivas; o republicano, regido na mão de várias pessoas guiadas pela virtude; e
o despótico, onde o autoritarismo de um líder podia comprometer os direitos humanos através
da política do medo.
Montesquieu formulou os princípios básicos para que governos tirânicos fossem evitados. Para
isso, defendeu a separação da máquina política em três poderes:
Executivo: ficaria responsável pela administração pública de uma nação, geralmente exercido
por um rei (Monarquia) ou chefe de Estado (República);
Legislativo: ficaria responsável pelos projetos de leis e representaria a Câmara dos
Judiciário: ficaria responsável pelo órgão jurídico e pelo cumprimento das leis dos cidadãos e
dos outros dois poderes, exercidos pelos juízes e magistrados.
Sua teoria teve grande impacto no iluminismo europeu e serviu de molde para a organização do
sistema político das nações modernas. Apesar da grande visibilidade intelectual, Montesquieu
sofreu duras críticas de alguns setores e sua obra foi proibida de ser distribuída em território
francês após ser colocada no índice do Index Librorum Prohibitorum, da Igreja Católica.
Mesmo assim, ainda conseguiu publicá-la oficialmente em 1748 em Gênebra, Suíça, dividido
Depois de muita produção literária e política, aos 66 anos, no dia 10 de fevereiro de 1755,
Montesquieu contraíra uma febre e morrera em Paris, deixando um artigo incompleto para a
Enciclopédia de Diderot e D'Alembert.
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