sexta-feira, 20 de março de 2015

O mundo dos pensadores filosóficos - Karl Marx

CECBA – Centro Educacional Claudionor Batista

Apostila de Filosofia - O mundo dos pensadores filosóficos

8a séries - Turmas V1 e V2

KARL MARX

Karl Marx nasceu em Trier (na época no Reino da Prússia) em 5 de Maio de 1818 e morreu em

Londres a 14 de Março de 1883.

Era o filho mais novo de uma família judaica de classe média da cidade. Em Iena, obteve

em 1841, o seu doutoramento em Filosofia com uma tese Sobre as diferenças da filosofia da

natureza de Demócrito e de Epicuro.

No ano seguinte tornou-se redator-chefe de um jornal da província de Colônia, onde conheceu

Friedrich Engels, durante visita deste a redação do jornal.

Em 1844, após sua mudança para Paris no ano anterior, trabalha na edição do primeiro volume

dos Anais Germânico-Franceses, principal divulgação dos hegelianos da esquerda. Pouco tempo

depois, por divergências ideológicas, rompe com os líderes deste movimento, Bruno Bauer e

Ruge.

Entre os primeiros trabalhos de Marx, foi considerado o mais importante o seu artigo Sobre

a crítica da Filosofia do direito de Hegel, primeiro esboço da interpretação materialista da

dialética hegeliana.

Marx e Engels escreveram juntos em 1845 A Sagrada Família, trabalho que versava contra

o hegeliano Bruno Bauer e seus irmãos. Também foi obra comum A Ideologia alemã (1845-

46), que por motivo de censura não pôde ser publicada naquele momento. A edição completa

daquele trabalho apenas seria divulgada em 1932.

Sozinho, Marx escreveu A Miséria da Filosofia (1847), a polêmica veemente contra o

anarquista francês Proudhon.

O Manifesto Comunista, de 1847, foi a última obra comum de Marx e Engels. A obra se

constitui em um breve resumo do materialismo histórico e apelo à revolução.

Após estabelecer – se em Bruxelas, passa a fazer parte de organizações clandestinas de

operários e exilados. Em 24 de fevereiro de 1848, Marx e Engels publicaram o folheto O

Manifesto Comunista, primeiro esboço da teoria revolucionária que, mais tarde, seria chamada

marxista.

O 18 Brumário de Luís Bonaparte foi publicado em 1852 em jornais e em 1869 como livro. É a

primeira interpretação de um acontecimento histórico. O acontecimento explorado é o golpe de

Estado de Napoleão III.

Após a sua chegada a Londres, passa a fazer parte de vastos estudos econômicos e históricos,

sendo frequentador assíduo da sala de leituras do British Museum. Escrevia artigos para jornais

norte-americanos, sobre política exterior. Neste período sua condição financeira estava muito

precária. Nesta época foi ajudado por Engels, que vivia em Manchester em uma condição

financeira muito mais favorável.

No ano de 1867, publicou o primeiro volume da sua obra principal, O Capital. É um livro

fundamentalmente econômico, resultado dos estudos no British Museum, tratando da teoria do

valor, da mais-valia, da acumulação do capital etc.

Os volumes II e III de O Capital foram editados por Engels, em 1885 e em 1894. Outros textos

foram publicados por Karl Kautsky como volume IV (1904-10).

A teoria defendida por Karl Marx fundamenta – se na crítica radical do capitalismo, onde

predomina a exploração do trabalhador pela burguesia. Sob a sua óptica, havia aqueles que

possuíam o capital produtivo com o qual expropriavam a mais-valia, constituindo assim a classe

exploradora (burguesia); de outro lado estavam os assalariados que não possuíam a propriedade

(proletários).

Com esta estrutura, Marx acreditava que a Educação era parte da superestrutura de controle

usada pelas classes dominantes. Desacreditava no currículo que ela traria e na forma como seria

ensinado. Defendia a educação técnica e industrial (essas ideias tiveram um impacto posterior

na educação, especialmente no que diz respeito à educação tecnológica).

Karl Marx defendia a educação pública e gratuita para todas as crianças. Esta era, na sua visão,

a solução para retirá-las do trabalho nas fábricas. Defendia, ainda, que a educação deveria

formar o homem nos aspectos físico, mental e técnico, trazendo os panoramas do estudo, lazer

e trabalho. O intuito fundamental deveria produzir seres humanos desenvolvidos integralmente

através do trabalho produtivo, escolaridade e ginástica.

Em 1932 foram descobertos e editados em Moscou os Manuscritos Econômico-Filosóficos,

redigidos em 1844 e deixados inacabados. É o esboço de um socialismo humanista, que se

preocupa principalmente com a alienação do homem; sobre a compatibilidade ou não deste

humanismo com o marxismo posterior, a discussão não está encerrada.

MARXISMO

O marxismo se baseia no materialismo e o socialismo científico, constituindo ao mesmo tempo

uma teoria geral e o programa dos movimentos operários. Em razão disso, o marxismo forma

uma base de ação para estes movimentos, porque eles unem a teoria com a prática. Para os

marxistas, o materialismo é a arma pela qual é possível abolir a filosofia como instrumento

especulativo da burguesia (o Idealismo) e fazer dela um instrumento de transformação

do mundo a serviço do proletariado (força de trabalho). Este conceito tem duas bases: o

materialismo dialético e o materialismo histórico. O primeiro coloca a simultaneidade

da matéria e do espírito, e a constituição do concreto por uma evolução concebida como

“desenvolvimento por saltos, catástrofes e revoluções”, causando uma evolução em um grau

mais alto, graças a “negação da negação” (dialética).

O materialismo histórico coloca que a consciência dos homens é determinada pela realidade

social, ou seja, pelo conjunto dos meios de produção, base real sobre a qual se eleva uma super

estrutura jurídica e política e à qual correspondem formas de consciência social determinada.

Analisando o capitalismo, Marx desenvolveu uma teoria para o valor dos produtos: o valor é

a expressão da quantidade de trabalho social utilizado na produção da mercadoria. No sistema

capitalista, o trabalhador vende ao proprietário a sua força de trabalho, muitas vezes o único

bem que têm, tratada como mercadoria, e submetida às leis do mercado, como concorrência,

baixos salários. “Ou é isto, ou nada. Decida-se que a fila é grande”. A diferença entre o valor

do produto final e o valor pago ao trabalhador, Marx deu o nome de mais-valia, que expressa,

portanto, o grau de exploração do trabalho. Os empregadores tem uma tendência natural de

aumentar a mais-valia, acumulando cada vez mais riquezas.

Após a Segunda Guerra Mundial, o marxismo teve um crescimento considerável,

principalmente em países do terceiro mundo, onde se constituiu como ponto de referência para

os movimentos de libertação nacional. Este crescimento foi acompanhado de desenvolvimentos

e divisões: a crítica ao Stalinismo na antiga URSS e suas práticas nos países ocidentais, a

ruptura entre URSS e a China, a análise do imperialismo por militantes políticos, como Ho Chi

Minh, no Vietnã, Fidel Castro em Cuba, etc.

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